Não acredito em Deus, nem em céu e inferno, nem em casamento, para sempres, amor eterno...
Raramente acredito em mim. Raramente sinto medo. Raramente sinto algo verdadeiro.
Normalmente as situações vêm a mim como um turbilhão, como ondas querendo me engolir e eu não sinto nada, a não ser a necessidade de nadar e me desvencilhar delas.
Quando a dor é muito grande, chega um ponto em que nosso cérebro se desliga e ficamos anestesiados.
Pobre menina sofrida, rs.
Um dia eu estava lá, no pátio, em pé em frente a porta da diretoria, discutindo com as três melhores amigas, quais roupas seriam usadas para o festival de dança de Educação Física, mas no segundo seguinte, me vi sendo jogada em um mundo do qual eu não estava pronta para viver.
Aliás, suspeito eu, que nenhum ser humano está pronto para viver, amadurecer e ser responsável. Duvido muito que qualquer pessoa, mesmo vivendo esse mundo, esteja pronta, preparada.
Feche os olhos, e a dor passa.
Pessoas são instáveis e imprevisíveis, por mais conhecidas e calmas que possam ser ou parecer ser.
Nunca se conhece verdadeiramente o outro, lá no fundo, nem mesmo nós mesmos nos conhecemos de verdade.
Não passamos de um monte de massa, que faz não sei o que, não sei para quê, não sei onde e muito menos por onde ou para aonde.
Somos passagem, somos apenas isso.
Rasos.
Nada é em vão na vida, tudo serve para nos guiar. Não sei para onde, ou porquê, mas viver é bom.
Na maioria das vezes é um saco. Mas é bom.
Não acredito em nada, nem mesmo em mim. Não confio nas pessoas, não acho a vida linda e não paro para admirar o dia ou a noite, com frequência.
Isso não me torna menos humana.
O meu egoísmo é exatamente o que me faz humana. É o sentimento mais nobre que eu consigo ter.
Pessoas machucam.