sexta-feira, 29 de abril de 2011

daqui a pouco cresço, passa...

E passa sabe? A gente vai crescendo e as coisas vão passando...
Eu gostava tanto de uma calça listrada de cor de rosa e roxo, que eu tinha. Ai cresci.
Gostava tanto de gelatina e passou...
Tinha uma coleção de Barbies e Pollyes e cresci.
Adorava passar batom e passou.
Só dormia dentro do carro, depois de várias voltas pela cidade e cresci.
Nunca quis me casar e passou.
Não gostava de cerveja e cresci...
A vida brinca, a todo momento ela brinca com a gente.
Em pequenos detalhes que ao fim, fazem toda a diferença e já não são mais detalhes, já são uma vida inteira e não temos mais como voltar atrás e normalmente nem queremos.
Não trocaria meus amigos de hoje pela minha coleção de Barbies, nem minhas noites de filme com cerveja, pelos meus antigos porres de vodka.
Acho que também não usaria mais minha calça listrada. Até porque, não gosto mais de rosa...
Mas de qualquer modo, foram coisas que eu necessitei ter na minha vida para aprender a ser e ter o que sou e tenho hoje em dia. Não que seja muita coisa, mas são coisas que eu não abro mão.
Ai daqui uns anos eu cresço e passa.
E logo depois eu estarei satisfeita com minhas novas escolhas.
Nem sempre é fácil. Satisfeito nem sempre significa orgulhoso, mas não podemos ter tudo na vida. Então, me contento.
Aprendi a viver com um amor que não precisa de troca, apenas precisa existir. Eu gosto/amo, então pra mim é suficiente.
Estou satisfeita por agora.
Daqui a pouco eu cresço, passa...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

there is no purity .

Olá, por que continuas aqui?
Olá, por que continuamos com isso?

Se soubesse pelos caminhos que me meti...
Se soubesse as coisas que ando feito para manter meus pensamentos fora de foco.

Quando realmente me deparo com o monstro que me tornei...
Por que você se importaria?
Será que realmente se preocuparia?
Me daria a mão, tentaria me tirar daqui, ou apenas desistiria?

Desistir é tão mais simples, quando simplesmente não há mais pureza.
Apenas o desespero aqui.

Se soubesse as coisas que ando feito...
Por que continuar me mantendo firme?
Não tem mais jeito.

E se você visse realmente o que me tornei, o que sempre fui e escondi.
O que você faria?
Você correria de mim?
Você se envergonharia?

Isso não é mais sobre você.
Agora é apenas sobre mim.

O que poderá acontecer?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lucidez.

Me senti um pouco perdida.
Mais do que já sou e menos do que pensei que me sentiria.
Muito que bem, ao meio de longas conversas ás vezes eu a ouvia gritar aquele nome que me causa frio na barriga e expectativas, mas eu sabia que não era a mesma pessoa, apenas o mesmo nome. Histórias muito parecidas, também, mas não as mesmas pessoas.
Foi quando ela desabou a chorar no meu colo. Eu mal a conhecia, mas sentia a tua dor tão profundamente que quase achei que era minha.
Lembrei da minha primeira aula de psicologia, quando meu professor disse que enquanto não aprendermos a sentir e entender a dor dos outros, jamais poderemos continuar nessa profissão. Pois bem, eu senti, eu entendi claramente aquela dor.
E ela continuou a chorar e a falar coisas que eu também entendia, que eu também tinha vontade de falar, mas que nunca as falei. Então, me limitei a abraça-la e a repetir para ela o que eu gostaria que falassem para mim.
'A culpa não é tua, a vida é tão confusa e nós não somos obrigadas a saber sempre como agir ou a sempre aceitar as coisas como são, as pessoas como são. Paciência é raro, mas só cabe a nós melhorar ou estagnar as coisas.'
Mas eu sabia que não adiantaria e ela continuou chorando. Me coloquei calada ao seu lado. O silêncio que não mata, conforta.
Era uma saudade, eu também sentia aquela saudade que ela descrevia tão bem e que veio do nada, sem sequer avisar antes. Sem nem mesmo se preocupar em dar um motivo.
As lágrimas cessaram e com o fim delas, o fim do sentimento. Foi como um choque de realidade que se transformou rapidamente em passado e nos fez lúcidas mais uma vez para não terminarmos a noite daquela forma.
Com um abraço selamos o fim daquela saudades, daquela dor profunda. Pelo menos por aqueles instantes.

sábado, 9 de abril de 2011

laughter.

Engraçado como a vida ri de nós.
São momentos em que sentamos e pensamos quão irônica a vida é todos os dias, mesmo que seja em mínimos detalhes.
Creio que ela nunca havia sentido isso desde que conheceu ele. Ela sempre foi tão na dela, mas ao mesmo tempo sempre infernizou a vida de bons.
Nunca tinha achado alguém a quem ela realmente tivesse vontade de contar suas frustrações, seus medos e suas vidas passadas, que foram muitas. Cada ano uma vida diferente, nem sempre melhor, nem sempre mais certa que a passada, mas sempre diferente.
Bons anos foram passados assim. Não bons nos sentido literal, mas no sentido de que passaram.
Eram brigas aqui, escolhas erradas dali... Um garoto estúpido, uma amizade errada, um pensamento torto.
Passaram.
Sempre jogando. Fosse o que fosse ela encarava como jogo.
Menina medrosa, arisca.
Adorava sentar nas escadas do colégio antigo e rir das pessoas. Fizeram tanto isso com ela durante boa parte da vida, que ela ao invés de impedir que outra pessoa sentisse as mesmas coisas que ela sentiu, queria mais era se vingar. Por boa parte deu certo.
Até que um dia ela se deparou com um grande problema. Riu tanto de uma pessoa que acabou apaixonada. Perdidamente apaixonada. Mas ela ainda não sabia disso e continuava rindo.
Foi questão de alguns meses. Quando se brinca demais, as coisas saem do controle, pois jogos são imprevisíveis.
Ela não se imaginava com mais ninguém a não ser com o riso de todas as manhãs. Ela se imaginava com ele a tarde e acontecia. Se imaginava com ele a noite e ele vinha. Foram dias assim.
Até que de tanto rir ele se cansou. Ele resolveu rir também e ela se machucou.
Pois é, minha cara. Ninguém nunca disse que seria fácil e você subestimou o riso. Ele virou a mesa, mostrou as cartas e você se machucou feio.
Ás vezes ela tem a impressão de que seu tombo foi tão feio que afetou seu juízo.
Ela grita, ela chora, ela voltou a fazer tudo errado. Mas não ri mais.
Ainda tira sarro, mas mais dela do que dos outros no momentos. Mas rir, nunca mais.
Em bons momentos ela pensa que vai superar. Na verdade ela tem certeza de que já superou e que nada disso passa de apenas sentimento de posse do riso que lhe foi tão brutalmente arrancado dos braços. Mas ela sabe que é mentira. Ela não superou e nunca vai superar.
Não porque seja a coisa mais importante do mundo, mas porque se foi importante por pelo menos um milésimo de segundo, jamais será esquecido ou deixado para trás.
Boas coisas quando são para ser nossas, mesmo se elas uma hora chegam a partir, sempre encontram o caminho de volta. Ela se repete isso todas as noites antes de dormir, todas as manhãs assim que acorda e todas as longas tardes quando ela teima em tentar a rir novamente sem grandes sucessos.
Esses dias andou se imaginando rindo de outras coisas. Andou pensando seriamente em um riso novinho que lhe foi apresentado. Mas não anda dando muita importância a isso no momento.
Mas por hora, ela só deseja que ela e o riso, mesmo separados, continuem sendo feitos um para o outro. Que sejam felizes por enquanto, que vivam separada, mas confortavelmente. Até o momento em que seja desejável e confortável voltar a rirem juntos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

grown-up life is not easy.

Sabe como é, eu poderia muito bem ter chorado naquele momento.
Ter simplesmente me desesperado, gritado e derramado rios de lágrimas.
Mas sabe, também, eu não queria fazer isso.
Eu queria pelo menos uma vez, ser forte, mais forte, muito mais forte do que eu posso ser e eu sei que sou. Queria mostrar que eu sou forte, que eu passaria sem chorar, que eu não estava sofrendo, mesmo estando em pedaços.
Poderia ter corrido, sair correndo, largado todo mundo para trás. Mas também não fiz isso.
Eu gosto quando as pessoas me desencorajam. Gosto de ouvir delas que eu não sou capaz, que eu nunca vou conseguir ou que nunca vai dar certo.
A frase que eu mais ouço e ouvi a vida toda é: você sonha e espera demais.
Sim, mas é claro. Queria que eu vivesse uma vida sem graça, sem expectativas e sem vontade?
Me jogo, me exponho, não me importo mesmo morrendo de tanto me importar.
Ali estava a mim, morta por dentro. Todas as possibilidades citadas anteriormente em minha cabeça. Não é fácil controlar o incontrolável.
Nunca fui boa em auto controle. Mas eu me segurei.
Sorri. Continuei sorrindo. Levantei depois de tudo acabado e voltei para a minha casa.
Não chorei quando cheguei, não vou chorar.
Vou mostrar para mim mesma que eu consigo. Não vai ser uma pequena vontade de chorar que vai me derrubar dessa vez.
Preciso aprender a viver sob pressão. É agora. Eu vou conseguir.