Me senti um pouco perdida.
Mais do que já sou e menos do que pensei que me sentiria.
Muito que bem, ao meio de longas conversas ás vezes eu a ouvia gritar aquele nome que me causa frio na barriga e expectativas, mas eu sabia que não era a mesma pessoa, apenas o mesmo nome. Histórias muito parecidas, também, mas não as mesmas pessoas.
Foi quando ela desabou a chorar no meu colo. Eu mal a conhecia, mas sentia a tua dor tão profundamente que quase achei que era minha.
Lembrei da minha primeira aula de psicologia, quando meu professor disse que enquanto não aprendermos a sentir e entender a dor dos outros, jamais poderemos continuar nessa profissão. Pois bem, eu senti, eu entendi claramente aquela dor.
E ela continuou a chorar e a falar coisas que eu também entendia, que eu também tinha vontade de falar, mas que nunca as falei. Então, me limitei a abraça-la e a repetir para ela o que eu gostaria que falassem para mim.
'A culpa não é tua, a vida é tão confusa e nós não somos obrigadas a saber sempre como agir ou a sempre aceitar as coisas como são, as pessoas como são. Paciência é raro, mas só cabe a nós melhorar ou estagnar as coisas.'
Mas eu sabia que não adiantaria e ela continuou chorando. Me coloquei calada ao seu lado. O silêncio que não mata, conforta.
Era uma saudade, eu também sentia aquela saudade que ela descrevia tão bem e que veio do nada, sem sequer avisar antes. Sem nem mesmo se preocupar em dar um motivo.
As lágrimas cessaram e com o fim delas, o fim do sentimento. Foi como um choque de realidade que se transformou rapidamente em passado e nos fez lúcidas mais uma vez para não terminarmos a noite daquela forma.
Com um abraço selamos o fim daquela saudades, daquela dor profunda. Pelo menos por aqueles instantes.
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