Talvez poemas, flores e bombons de licor.
Não, não. Não gosto de bombons de licor.
É disso que estou falando, sabe? Poder escolher.
O incomodo parece que nunca vai passar mas chega uma hora que as pessoas precisam se acostumar.
Rimei passar com acostumar. Será que na vida dá certo, também?
Passar ou acostumar? Qual será mais fácil e reconfortante?
Por que a vida insiste em forçar tudo ao redor, sendo que ficaria mais fácil se fosse livre?
Liberdade não rima com vazio, mas se realmente prestarmos atenção, caminham lado a lado. O vazio da medo, já reparou? Por ser uma experiência tão relativa...
Uma vaga vazia no centro da cidade quando se está atrasado e precisando muito estacionar, é uma coisa ótima.
Uma geladeira vazia quando se tem fome é uma coisa desesperadora.
É disso que estou falando. Tem-se a liberdade de escolha, mas junto com ela está o vazio.
Nem sempre a vida da escolhas. Muitas vezes ela só impõe e pronto. Você que se vire.
Mas porquê não flores, né?!
Pena que elas murcham e morrem e não duram muito.
Flores duram o tempo exato para uma declaração ou um pedido de desculpas. Duram o tempo exato de duração de uma declaração ou pedido de desculpas. A tempo delas murcharem e morrerem, muita coisa passou e novas declarações e desculpas já devem ser merecidas novamente.
Poemas são eternos. Bombons não, são comestíveis.
Poemas também, comestíveis. Como-os com os olhos, com o cérebro, com o coração e deliciamos a alma.
Poemas fazem bem aos ouvidos e nem precisam ser de amores correspondidos. Podem ser de desilusões tristes e cortantes. Eles alimentam o que há de puro.
Mas por que não sonetos?