O adeus virou constante. Não consigo me adaptar.
Falha minha. Minha única certeza planejada é a falta de planejamentos para a vida toda que se foi e que ainda será. Porque o medo de ter esperanças e me frustrar é exatamente o que me prende em uma correnteza de escuridão e incerteza, que não machuca se não for.
Se não for aquilo, se não for meu, se não for para mim, se não for como quero, se não for...
Isso pode ser mania de quem gosta de contrariar tudo o que julgam certo e necessário, ou apenas característica de uma menina mimada.
Tenho casa mas não um lar, passo por pessoas, mas nunca fico. Estou sempre passando, sempre indo ou ficando e elas indo, ou me escondendo, ou tentando viver. Muitos julgam como incerteza, mas é apenas um mecanismo de defesa de quem não quer se machucar mais. Não por não suportar mais uma queda, apenas por achar que não mereço cair novamente. Já estou acostumada com a desilusão e seu discurso sobre a vida e o futuro não vão mudar minha opinião.
É uma desilusão pessoal e intima.
São desilusões comigo mesma, com meus atos e minha forma de proteção. As pessoas cumprem direitinho com seus papéis. Algumas se esforçam para conviver com meu gelo, outras gostam sinceramente de mim, apesar das dificuldades que imponho.
Sou de partida, nunca de chegada, sou de passagem, nunca de permanência. Sou o começo ou o fim, geralmente não participo do meio.
Gostaria de ser sem pesar, sem doer. Meus impulsos julgados, resumem um animal acuado e pequeno, que só quer se proteger e não tem ideia do quê.
Imprime-se no meu falho discurso a tentativa de expressar com voz o que só sei colocar no papel. Não gosto de plateias, porque nem eu mesma sei me entender. Preciso aprender a me calar, como forma de falar.
Não me acostumo e não me conformo. Quero o que quero e agora, sem titubear. É tão complicado ter que esperar, sendo que não se acredita em um futuro, quando não se planeja um futuro e só deseja que o agora seja.
Todas as velharias da gaveta hoje pesam, mas eu jamais as planejei. Todas aquelas palavras erradas e lágrimas derramadas foram momentâneas e inesperadas. Melhor assim, talvez se soubesse de suas existências jamais caminharia por caminhos correntes que me deixassem aos seus pés.
Tantos sentimentos ridículos, que só são extremamente ridículos pelo tamanho da verdade que carregam. Deve ser por isso e talvez por mais algumas outras coisas que evito deixar algo ficar.
Vivo à me machucar, bater com a cara no muro, porque sou bicho, sou fera que não mede consequências e não enxerga horizontes. Minha mente vive somente o que tenho em mãos agora e não almejo mais que isso, até ter novas coisas em mãos. Talvez seja por isso que machuco tanto. Não só a mim, mas aos outros. E eu espero que haja uma maneira de evoluir, sem precisar não sentir.
Essas regras não servem para mim, mas quem sabe um dia, eu aprenda a respeitá-las. Acho tolice desperdiçar uma vida incerta com planos incertos e sonhos vãos. Não planejo, apenas existo.
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