Acho que eu nasci para perder.
Perco a hora, perco a cabeça, perco o endereço, perco o número do teu telefone.
Perco as datas importantes, perco as festas legais, perco os encontros inesquecíveis, perco os momentos marcantes.
Perco a paciência, perco a vontade, perco o amor, perco a fome, perco o sono, perco as minhas chaves, perco meu carro no estacionamento.
Perco as pessoas.
São uma série de acontecimentos que me fazem acreditar, que por mais que eu ganhe, eu sempre estarei perdendo. Ao mesmo tempo que ganho algumas horas de sono, estou perdendo horas de diversão ou importantes minutos para não perder a hora. Aí, perco a hora, perco a diversão e no fim, perco as horas de sono, pensando em tudo o que eu perdi.
Ganho convites para sair, mas perco a vontade de ir. Ganho a vontade de ir e não recebo os convites.
Perco a paciência, perco a cabeça e consequentemente as pessoas se vão com isso.
Ou as pessoas simplesmente se vão, porque já não cabem mais em mim, perdi o amor.
Tem aquelas que se vão sem eu querer, sem eu achar que está na hora delas irem, mas elas vão mesmo assim e essas, infelizmente, nunca mais voltam. Ganho a saudade.
E a grande realidade é essa, eu nasci para perder, consequentemente, constantemente e incessavelmente.
Por esses tempos, tenho me perdido, me perdido dentro de mim mesma e das escolhas que fiz. Escolhas das quais me fizeram perder muita coisa, que me fazem sentir um grande pesar, por saber que nunca vou viver o que estava previsto para ser vivido. Perdi o tempo.
Aquela sensação de que tudo poderia ter sido diferente, de que eu deveria ter aproveitado mais e me preocupado menos, deveria ter ficado mais e corrido menos, ter sorrido e amado mais e chorado e lamentado menos. Essa sensação é a única que nunca será perdida.
Arrependimento.
Perder dói. Não falo da perda material, embora essa, às vezes, doa mais do que a perda sentimental.
O que me dói no momento é a falta eterna que sentirei.
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