terça-feira, 20 de novembro de 2012

que não fosse mais nada.

Talvez fosse só mais um dia.
Talvez fosse só mais uma dor.
Talvez fosse só mais um beijo.
Talvez fosse só mais um...
Sufocava como a morte.
Matava com dor.
A água era rasa, afogava os estúpidos.
Não adianta se debater, você não tem mais escolha.
Erga a cabeça, ou a água te engole.
Parece que vai explodir, chegam a achar que pode sangrar.
O machucado não é físico, mas a mente engana.
Todos os dias ao acordar, todas as noites ao se deitar.
Todos as mentes irão se lembrar, dos dias, noites, beijos, dor...
É bem clichê o 'até quem me vê na fila do pão...' mas, até quem te vê na fila do pão sabe.
Mas e daí?
Cuidado, ergue a cabeça ou a água te engole.
Você não sabe nadar, ou até sabe, mas amarraram suas mãos.
Agora ninguém mais tem escolha.
Dias, tardes, noites. Hoje, ontem, amanhã.
Todos os envolvidos nadam.
Todos os envolvidos se certificam de que a água não lhes engolirá, mas que você também não sobreviverá.
Talvez fosse só mais um caso.
Talvez fosse só mais uma noite.
Talvez fosse só mais um abraço.
Talvez não fosse mais nada.


sábado, 3 de novembro de 2012

apprivoise-moi

São tristes as passagens da vida.
Muitos se vão e pouquíssimos ficam.
Era apenas mais um dia de primavera, em meio a uma luta sobrenatural para manter-se sã.
Ela sempre teve dificuldade em se apegar, mas descativar-se era sacrificante.
Quando tudo indicava que ficaria bem, baque.
Não é perda de tempo dedicar-se a rosa, mas às vezes os ferimentos, causados pelos espinhos, fazem-na ter vontade de deixar para lá.
Mas quando ela vê aquele sorriso...
São tristes as passagens da vida, principalmente aquelas em deixar ir, deixar vir, deixar fluir.
Quem poderá garantir-lhe que amanhã tudo estará bem?
Quem lhe trará coragem, para enfrentar o medo do diálogo que pode sufocar?
E ela não sabe cuidar nem dela mesma, como poderá cuidar da rosa tão teimosa.
Aquela rosa que precisa de tantos cuidados e olhos só para ela.
Por fim, ela apenas tem medo de estar fechada nessa insegurança, e pior, ter escolhido ficar fechada nesse lugar.
Mas cativou-se, por mais complexo que esse ato seja.
E volta e meia encontra, reencontra, reconquista, reconstrói o sentido do cativar.
Deixa pra lá, são sempre tristes as passagens da vida.
Deixar passar, deixar para lá, deixar.
Mas a rosa está lá, ela precisa cortar os baobás, ela precisa protegê-la do frio, protegê-la do mal.
Ela precisa se proteger.
Quando tudo era apenas sonho por um carneiro, veio a rosa.
São tão tristes as passagens da vida.
Aquele olhar gela.
Por favor, ela implora, fique mais um pouco, me abrace mais uma noite, encaixe seus dedos em minha cintura, envolva meus braços com seus abraços e puxe meus cabelos.
Ela só precisa se descativar, mas o cativar é que a mantém sã.