quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Conto de fadas para mulheres do séc. 21.

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse:
- "Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre... "
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:
- "Nem FO...DEN...DO!"

(Luís Fernando Veríssimo)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

mess.

Estamos sempre querendo resolver as coisas, arrumar a bagunça.
Ás vezes o desespero é tanto de se fazer útil, que saímos arrumando a casa, arrumando o quarto, arrumando os arquivos do computador.
Ok, agora está tudo organizado, mas você ainda se sente no meio de um furacão, como se estivesse tudo fora do lugar, porque não adianta arrumar a bagunça do mundo, enquanto a bagunça da mente não estiver arquivada, etiquetada e simplesmente bem guardada.
Passado na pasta de passado, presente na pasta de presente e a pasta do futuro devendo conter apenas uma única folha, onde estará escrito: 'que eu seja merecedor do melhor.'
Como se fosse um lembrete;
Para termos o bom, deveremos ser bons, fazer o melhor de nós, mesmo que isso exija muito.
Caso contrário, é proibido reclamar e a vida jamais te devolverá o dinheiro.
Acho engraçado quando eu entro em desespero e saiu revirando as pastas da minha mente a procura de uma resposta. A pasta que eu mais reviro é a do passado, ignorando a do presente, que é a mais importante e a que eu sempre esqueço de arrumar.
Vou deixando passar, assim, como se passa o tempo, como se passa um dia, uma noite de sono;
Meu quarto está em ordem, minha casa está limpa e arrumada. Os arquivos do meu computador, então, todos por ordem alfabética, perfeitos.
Minha mente está revirada.
Um tempo que deveria ter passado em uma pasta errada, transforma toda uma vida e uma maneira de agir.
Ás vezes eu gostaria de ligar o aspirador e retirar todas essas coisas passadas de dentro de mim.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

each with its each.

E ai um dia você vai lá e escreve qualquer coisa ou fala qualquer coisa. Seja uma coisa que você sempre pensou, seja uma vontade passageira, sei lá... Mas escreve.
O que acontece? Sempre tem um chato que vai discordar, mas até ai, cada um com a tua opinião e todos convivendo em uma sociedade livre.
A teoria é sempre linda, rs.
Os chatos, se contentam em apenas discordar. Mas aqueles que gostam de chamar atenção, vão polemizar. Vão polemizar tanto, até você cansar de ouvir sobre aquele assunto que para você já tinha morrido, mesmo porque, não vê maldade no que você escreveu ou expressou.
Cada um sabe o que é, do que gosta, do que tem vontade...
Bom, ai a pessoa vai lá, junta todos os teus amiguinhos e te trolla durante tempos, bem do tipo: 'eu causo, olha como eu sou polêmico.'
Típica atitude daquele que foi o patinho feio do colégio, sabe? Aquele que todo mundo sempre zuou e que até hoje é carente de atenção? Pois é, é desse tipo de gente que eu estou falando.
Não me incomodo que não concordem comigo, ou que venham discutir sobre algo que eu falei ou escrevi, mas venha com jeito, sem arrogância e sem deduções. Porque não tem nada mais babaca, do que brigar e julgar por uma coisa que você mal ouviu ou leu, de uma pessoa que você não conhece.
Não sou a favor da censura e muito menos do apedrejamento. Como já dizia o ditado 'cada cabeça uma sentença', mas ninguém precisa julgar e ficar apontando para uma pessoa apenas porque não concorda com o que ela fala, pensa ou como ela age.
Uma coisa é não concordar, outra coisa bem diferente é querer trollar essa pessoa e fazer com que ela viva nos teus padrões de certo ou errado.
Até porque, o que é certo? O que é errado?
Me provem e eu me adaptarei aos padrões. (:

terça-feira, 9 de novembro de 2010

losses.

Perdas, perdas, quem nunca as teve?
Já perdi a calma, perdi o sono, perdi meu avô e perdi também a linha.
Já perdi a paciência, perdi dinheiro, perdi amores e pelo caminho perdi amigos...
Já quase perdia a cabeça, já perdi a humildade, perdi a educação e perdi também pessoas que eu quis que se perdessem de mim.
Por essa vida, por tantas vezes eu perdi a consciência, perdi a dignidade em festas, perdi meu celular, perdi o telefone de alguém importante.
Tiveram também aquelas pessoas que me perderam, mesmo eu querendo que elas não me perdessem.
Sem falar nos shows, nas festas, nas vontades e nos gostos que perdi por ai...
Mas ganhei muito também. Não gosto de contar meus ganhos e acertos, nem sempre é bom as pessoas estarem a par de nossa felicidade e realização. Apenas aquelas poucas que nós escolhemos como merecedoras de divisão.
Já perdi o riso, perdi a fala, perdi o brilho nos olhos, perdi minha hammister....
Já perdi o caminho, já perdi a intenção e perdi mais ainda a ingenuidade.
Não quero encontrar nada disso, se perdi é porque não me faz falta. Apenas algumas pessoas me dão saudades, mas não me fazem falta.
Quantos amores ainda posso viver, quantas festas ainda terei, quantos sorrisos ainda colocarão em meu rosto...
E as lágrimas? Ás quero de volta também, todas as lágrimas que perdi, tanto as que chorei, quanto as que deixei de chorar.
Tudo volta e tudo se perde, é um ciclo.
Já perdi as contas, já perdi meu tempo, já perdi uma chance, já perdi a noção, já perdi...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

everything becomes boring.

Um dia você acorda e não é nada como você tinha esperado que fosse.
Um dia você se encontra no meio de uma selva, literalmente, cheia de pessoas que dizem estar ao seu lado. Realmente estão, mas apenas para te passar a perna quando você perder o equilíbrio.
Já foi tão mais fácil viver. Não, não, nunca foi fácil.
Viver nunca será fácil, coisas fáceis são para pessoas desesperadas e desajeitadas.
Um dia você acorda e as coisas vão bem, tudo está em seu devido lugar e você não tem mais por que acordar.
A vida fácil acaba sendo sem sal, sem graça, sem facilidade para continuar vivendo.

Alma;

- Essa é uma história que eu não gostaria de lhes contar, caros leitores. Mas eis aqui o meu relato...

Em uma manhã gelada e coberta pela brancura da neve que caia, em uma rua estreita e deserta, passava uma linda garotinha loira, de olhos verdes, que vestia uma calça marrom pouco maior que ela, um colete cor de rosa por cima de uma blusa branca de lã, luvas e um gorrinho azul.
No meio de seu passeio, um grande muro com muitos nomes escritos nele, instiga a pequena menina a fazer o mesmo. Então, ela para e analisa. Com um giz branco como a neve que sobre ela caia, escreveu: ALMA.
Quando se virou, uma grande vitrine em formato oval, do que um dia deveria ter sido uma loja, e dividida em três partes, faz com que ela perca o fôlego. Lá dentro, atrás daquele vidro, havia uma boneca que mais parecia seu próprio reflexo. Sim, era idêntica a Alma, mesmas roupas, mesmo tom branco de pele, cor de olhos e cabelos...
A garota, então, depois de alguns instantes parada, perplexa com tamanha semelhança, se dirige até a porta de vidro, ao lado da vitrine. Mas suas tentativas de entrar são em vão.
Emburrada, Alma se abaixa, faz uma bola de neve e a arremessa contra o vidro da porta, depois segue andando. Nesse mesmo instante, a porta se abre fazendo um pequeno barulho.
Com um sorriso alegre e surpreso, ela volta correndo e termina de escancarar a porta. Fica alguns poucos instantes parada, olhando tudo e então começa a entrar lentamente, observando tudo a sua volta, com detalhes.
Milhares de bonecas, cada uma com um estilo diferente, cada uma parecendo ter saído de uma época diferente e muito perfeitas. Quando vê, já estava no meio da sala e as bonecas a cercavam.
Alma não poderia estar mais encantada e finalmente encontra o teu objeto de desejo e curiosidade, aquela boneca que mais parecia o seu reflexo em um espelho.
Ao caminhar em direção a boneca, a pequena garotinha, tão vidrada em seu desejo, acaba não percebendo que existe algo no chão, acaba tropeçando em um bonequinho.
Este tem olhos arregalados, cabelos negros. Veste um terno e um shorts preto, com meias brancaspuxadas até ás canelas. Ele aparenta ser o menor de todos os bonecos que ali estão e está sentado em um triciclo.
Ela então se abaixa e o coloca em pé. O boneco então, sai pedalando em direção a porta, ela só o observa. A porta então, rapidamente se fecha, mas o pequeno boneco continua indo contra ela, batendo-se nela inumeras vezes e provocando um grande barulho.
A garota ignora o boneco e levanta-se do chão, voltando toda a atenção, novamente, para a boneca tão idêntica a sí, que no começo, estava na vitrine e agora encontrava-se em uma mesinha de centro. Veio o espanto! A boneca já não estava mais sobre a mesa.
Nervosa, e espantada, começa a olhar para todos os cantos da pequena sala, passando os olhos nas milhares de bonecas expostas nas inúmeras prateleiras. Então, a encontra ao meio daquela multidão de rostos inanimados, em pé, em uma das prateleiras.
Ela corre e se aproxima, sobe em um sofá que está aos pés das prateleiras e se estica para alcançar a boneca. O boneco continua a se bater na porta, agora com mais força, o ritimo é acelerado e o barulho se torna mais rápido e mais intenso do que antes.
A pequena Alma tira a luva e toca levemente o rosto da bonecatão cobiçada. Imagens surreais tomam conta de toda a sua mente. São pedaços de corpos dos bonecos, imagens dela mesma assustada e o som do boneco se chocando contra a porta, ao fundo.
Tudo se apaga;
Agora, Alma está observando a pequena sala, mas por outro ângulo. O boneco já não está mais no chão, o barulho se foi e ela pode ouvir sua respiração ofegante e desesperada. Ela não consegue se mover, apenas seus olhos têm movimento.

-É caro leitor, eu disse que não gostaria de estar lhes contando essa história, mas chegaremos ao fim.

Alma acaba como todos os outros, dentro da sala, cheia de bonecas, atrás da bela e atraente vitrine. Imóvel em uma das prateleiras e cercada por todos aqueles grandes olhos, que são os únicos movimentos que existem por lá.
Agora, ela é a alma por trás da boneca de aparência idêntica á dela, ela é a própria boneca, como todas que ali também estão. Almas de crianças, presas em corpos de plático.
Um novo ciclo, então, começa. À frente da vitrine, surge uma nova boneca. Uma linda boneca de cabelos cor de fogo, casaquinho vermelho de flores amarelas e meia calça branca. Ela então, fica ali, na vitrine, posicionada para cumprir sua missão, aprisionar mais uma pobre alma.