Creio que tenho muito talento para o drama. Mesmo que ele não exista, eu estou sempre dramatizando tudo.
Exagerada em tantas formas, desde a forma de amar até a forma de sorrir. Não sei falar bem, tenho que falar MUITO bem, não sei falar mal, tenho que DETONAR a pessoa.
Não sei chorar, tenho que me desaguar e quase matar todas as pessoas a minha volta de preocupação, achando que eu vou morrer; não sei apenas sorrir, eu tenho que pegar nas pessoas, tenho que fazer movimentos e tentar provar com o máximo que posso, de que estou feliz.
Isso me irrita. Pessoas assim me irritam e ai eu percebo o quão insuportável eu sou e faz com que eu me pergunte em que momento da minha vida eu me tornei essa pessoa chata que sou hoje. (drama)
Oks, eu me tornei essa pessoa assim que nasci. Eu sempre fui assim, insuportável, dramática, exagerada. Os papagaios da chácara do meu avô gritam e choram como eu fazia quando era pequena. E ainda chamam meu avô, com voz de choro, porque eu certamente estava fazendo algo errado e minha mãe me dando bronca.
Sempre fui assim, dramática. Ou era tudo, ou era nada. Ou eu amava, ou eu odiava. Nunca aprendi a ser meio termo. Não me importar, não me afetar.
Eu não consigo não tomar as dores de pessoas que eu gosto ou que ao menos tenho um leve afeto. Sempre fui assim.
Lembro de uma cena que nunca sairá da minha cabeça, quando eu tinha 8 anos e um garoto chamou minha mãe de chata. Simplesmente enfiei a mão na cara dele sem nem querer ver o que poderia acontecer. Ele era mais velho, maior e eu estava na porta da sala da diretora, batendo nele.
Colocar minha mãe como exemplo chega até a ser apelação, porque essa eu defendo de qualquer um em qualquer situação.
Mas com minhas amigas e amigos é a mesma coisa. Não adianta, eu coloco o insulto ou a agressão como sendo minha e não sossego enquanto não acabo com a pessoa que fez um amigo/a meu sofrer.
Ás vezes isso é péssimo, porque acabo defendendo pessoas que mereciam que eu as chutasse. Porque neguinho sabe a minha fraqueza.
Mas isso não vem ao caso. Aliás, acho que nada nesse texto vem ao caso.
Agora eu não sei mais o que fazer, as coisas estão tão complicadas que primeiro eu defendia a minha madrinha - e continuo defendendo, mesmo ela merecendo que eu nem na cara dela olhasse mais, depois de tudo o que ela fez pra mim quando eu era menor - ou se eu fico putíssima com ela, por causa das atitudes infantis que ela anda tomando.
Ai eu acabo em um beco sem saída, porque se eu a critico, todo mundo me dá bronca, como se eu nunca tivesse passado pelo que ela está passando. Tudo bem que eu nunca me casei, mas eu também já construi meia vida com uma pessoa e esse pequeno espaço feliz foi arrancado de mim. Eu também já cai em depressão, me tranquei no quarto, mas sempre pensando em minha mãe, sabendo que eu teria que passar por aquele momento triste, mas me recuperar sem fazer nenhuma besteira, pois minha mãe sofreria. Coisa que ela não faz. E isso me deixa com raiva, porque tomo as dores de meus avós.
Ai eu venho e transformo tudo em uma grande novela mexicana, cheia de choros e exageros e formas de tentar me fazer de forte, mas ao mesmo tempo me mostrando frágil.
Como o @luizsingle mesmo diz: 'Não tenho culpa se você é muito sensível.'
Que coisa, não? Uma pessoa que já passou por tudo o que eu passei ser 'sensível'. Eu não sou sensível, eu sou extremista, dramática, chata, para ser mais exata.
E sei que isso enche o saco, sei que isso não é agradável e que pessoas assim não são agradáveis. Mas essa foi a maneira que aprendi a viver.
Sempre assistindo aos teatros do meu pai, depois de uma briga com meu tio. Sempre assistindo aos exageros da minha madrinha sempre que eu fazia uma birra: 'Não quero que você passe nem na calçada da minha casa, nunca mais.'; e assim eu cresci, sabendo que era drama, mas também sabendo que se eu estou reclamando é porque tem algo que está realmente me incomodando, mesmo sabendo que eu vou exagerar, as pessoas que me conhecem sabem bem separar o drama da minha dor.
Ás vezes eu dou risada também, eu exagero no fingimento de felicidade ou até mesmo no próprio sentimento de felicidade. Até com meu cachorro eu sou extremista: ou eu amo ele demais e aperto ele até ele gritar, ou eu fico com muita raiva, bato nele e o deixo de castigo por qualquer arte que ele tenha feito. Não sei distinguir com quem eu devo ou não brigar, quem eu devo ou não agradar.
Em uma conversa com a minha mãe, um dia, de boa, com meus amigos no carro eu disse: 'Tratei ele como trato todo mundo... normal." e minha mãe respondeu: "Muito mal, né?!"
Pois é, para não chorar eu trato mal, para não me envolver eu trato mal, para eu não sofrer, eu machuco os outros.
Com exagero, na maioria das vezes sem necessidade.
Mas mesmo sendo assim, eu sei me cuidar, eu sei me curar e sei que as coisas não vão tão mal ao ponto de querer sumir e nem tão bem ao ponto de querer explodir de tanto rir. Não existe vida assim. Ninguém é assim.
E ai eu lembro da última coisa que a minha linda @sulis_brasil me disse: 'Se cuida, cuida de você porque ninguém vai fazer isso se você não fizer. Só você pode se fazer bem.'
Nenhum comentário:
Postar um comentário