Talvez fosse só mais um dia.
Talvez fosse só mais uma dor.
Talvez fosse só mais um beijo.
Talvez fosse só mais um...
Sufocava como a morte.
Matava com dor.
A água era rasa, afogava os estúpidos.
Não adianta se debater, você não tem mais escolha.
Erga a cabeça, ou a água te engole.
Parece que vai explodir, chegam a achar que pode sangrar.
O machucado não é físico, mas a mente engana.
Todos os dias ao acordar, todas as noites ao se deitar.
Todos as mentes irão se lembrar, dos dias, noites, beijos, dor...
É bem clichê o 'até quem me vê na fila do pão...' mas, até quem te vê na fila do pão sabe.
Mas e daí?
Cuidado, ergue a cabeça ou a água te engole.
Você não sabe nadar, ou até sabe, mas amarraram suas mãos.
Agora ninguém mais tem escolha.
Dias, tardes, noites. Hoje, ontem, amanhã.
Todos os envolvidos nadam.
Todos os envolvidos se certificam de que a água não lhes engolirá, mas que você também não sobreviverá.
Talvez fosse só mais um caso.
Talvez fosse só mais uma noite.
Talvez fosse só mais um abraço.
Talvez não fosse mais nada.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
apprivoise-moi
São tristes as passagens da vida.
Muitos se vão e pouquíssimos ficam.
Era apenas mais um dia de primavera, em meio a uma luta sobrenatural para manter-se sã.
Ela sempre teve dificuldade em se apegar, mas descativar-se era sacrificante.
Quando tudo indicava que ficaria bem, baque.
Não é perda de tempo dedicar-se a rosa, mas às vezes os ferimentos, causados pelos espinhos, fazem-na ter vontade de deixar para lá.
Mas quando ela vê aquele sorriso...
São tristes as passagens da vida, principalmente aquelas em deixar ir, deixar vir, deixar fluir.
Quem poderá garantir-lhe que amanhã tudo estará bem?
Quem lhe trará coragem, para enfrentar o medo do diálogo que pode sufocar?
E ela não sabe cuidar nem dela mesma, como poderá cuidar da rosa tão teimosa.
Aquela rosa que precisa de tantos cuidados e olhos só para ela.
Por fim, ela apenas tem medo de estar fechada nessa insegurança, e pior, ter escolhido ficar fechada nesse lugar.
Mas cativou-se, por mais complexo que esse ato seja.
E volta e meia encontra, reencontra, reconquista, reconstrói o sentido do cativar.
Deixa pra lá, são sempre tristes as passagens da vida.
Deixar passar, deixar para lá, deixar.
Mas a rosa está lá, ela precisa cortar os baobás, ela precisa protegê-la do frio, protegê-la do mal.
Ela precisa se proteger.
Quando tudo era apenas sonho por um carneiro, veio a rosa.
São tão tristes as passagens da vida.
Aquele olhar gela.
Por favor, ela implora, fique mais um pouco, me abrace mais uma noite, encaixe seus dedos em minha cintura, envolva meus braços com seus abraços e puxe meus cabelos.
Ela só precisa se descativar, mas o cativar é que a mantém sã.
Muitos se vão e pouquíssimos ficam.
Era apenas mais um dia de primavera, em meio a uma luta sobrenatural para manter-se sã.
Ela sempre teve dificuldade em se apegar, mas descativar-se era sacrificante.
Quando tudo indicava que ficaria bem, baque.
Não é perda de tempo dedicar-se a rosa, mas às vezes os ferimentos, causados pelos espinhos, fazem-na ter vontade de deixar para lá.
Mas quando ela vê aquele sorriso...
São tristes as passagens da vida, principalmente aquelas em deixar ir, deixar vir, deixar fluir.
Quem poderá garantir-lhe que amanhã tudo estará bem?
Quem lhe trará coragem, para enfrentar o medo do diálogo que pode sufocar?
E ela não sabe cuidar nem dela mesma, como poderá cuidar da rosa tão teimosa.
Aquela rosa que precisa de tantos cuidados e olhos só para ela.
Por fim, ela apenas tem medo de estar fechada nessa insegurança, e pior, ter escolhido ficar fechada nesse lugar.
Mas cativou-se, por mais complexo que esse ato seja.
E volta e meia encontra, reencontra, reconquista, reconstrói o sentido do cativar.
Deixa pra lá, são sempre tristes as passagens da vida.
Deixar passar, deixar para lá, deixar.
Mas a rosa está lá, ela precisa cortar os baobás, ela precisa protegê-la do frio, protegê-la do mal.
Ela precisa se proteger.
Quando tudo era apenas sonho por um carneiro, veio a rosa.
São tão tristes as passagens da vida.
Aquele olhar gela.
Por favor, ela implora, fique mais um pouco, me abrace mais uma noite, encaixe seus dedos em minha cintura, envolva meus braços com seus abraços e puxe meus cabelos.
Ela só precisa se descativar, mas o cativar é que a mantém sã.
domingo, 12 de agosto de 2012
sempre existe.
Quando se passa correndo pela vida, poucos detalhes são absorvidos.
Fechá-se para o mundo, com medo de se machucar mais do que o necessário, ou o que pensa ser necessário. Pensa ser o limite.
Poucos sorrisos, cara fechada. Aquela velha fama de pessoa chata.
Poucos amigos, pouca vontade de socializar. Aquela velha mania de pessoa que se esconde pra não se entregar.
Mas ai, em meio a mil rostos, entre tantas pessoas, uma chama atenção. Todos têm essa pessoa, a tal.
Te puxa o olhar, te arranca um sorriso.
A vida corrida entra em câmera lenta e os detalhes se tornam gritos em precipícios e os ecos ensurdecem.
Olha lá, aquele jeito de arrumar a franja, de bagunçar o cabelo e coçar os olhos quando está com sono ou com vergonha.
A voz que vai ficando mais rouca conforme o sono chega, a facilidade pra dormir em qualquer canto, com a cabeça encostada em algum lugar... e sonhar!
Tem aquele jeitinho de sorrir também, não fala nada, só ri. Olha e ri.
Quebra todo o gelo que existe, transforma todo o medo em mar.
Em meio a mil rostos, os olhos que atraem são vivos e confiantes, dizem muito sem dizerem nada.
E a pessoa que era chata, fechada, começa a se soltar.
Se abre como as portas foram abertas para ela passar, em um dia qualquer.
E aquele abraço desajeitado, meio receoso, querendo acalmar...
Porque entre mil rostos e pessoas, um em especial entra na vida para fazer sorrir, para ensinar a ser paciente.
Entre tantas pessoas no mundo, entre tantas vozes, olhares e manias, sempre tem um em especial que nos vidra, nos ensina e nos mostra como tudo pode ser melhor.
E era pra ser assim, era pra ser...
Há quem chame de paixão.
Fechá-se para o mundo, com medo de se machucar mais do que o necessário, ou o que pensa ser necessário. Pensa ser o limite.
Poucos sorrisos, cara fechada. Aquela velha fama de pessoa chata.
Poucos amigos, pouca vontade de socializar. Aquela velha mania de pessoa que se esconde pra não se entregar.
Mas ai, em meio a mil rostos, entre tantas pessoas, uma chama atenção. Todos têm essa pessoa, a tal.
Te puxa o olhar, te arranca um sorriso.
A vida corrida entra em câmera lenta e os detalhes se tornam gritos em precipícios e os ecos ensurdecem.
Olha lá, aquele jeito de arrumar a franja, de bagunçar o cabelo e coçar os olhos quando está com sono ou com vergonha.
A voz que vai ficando mais rouca conforme o sono chega, a facilidade pra dormir em qualquer canto, com a cabeça encostada em algum lugar... e sonhar!
Tem aquele jeitinho de sorrir também, não fala nada, só ri. Olha e ri.
Quebra todo o gelo que existe, transforma todo o medo em mar.
Em meio a mil rostos, os olhos que atraem são vivos e confiantes, dizem muito sem dizerem nada.
E a pessoa que era chata, fechada, começa a se soltar.
Se abre como as portas foram abertas para ela passar, em um dia qualquer.
E aquele abraço desajeitado, meio receoso, querendo acalmar...
Porque entre mil rostos e pessoas, um em especial entra na vida para fazer sorrir, para ensinar a ser paciente.
Entre tantas pessoas no mundo, entre tantas vozes, olhares e manias, sempre tem um em especial que nos vidra, nos ensina e nos mostra como tudo pode ser melhor.
E era pra ser assim, era pra ser...
Há quem chame de paixão.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Metamorfoseado.
Era como Gregor Samsa se sentia na manhã em que acordou metamorfoseado em um inseto gigantesco, provavelmente uma barata, na história de Kafka.
Acordei e era um corpo estranho, não conseguia me mover, apenas ouvia a vida gritar. Tinha pensamentos que antes me assustavam e que eu me recusava a deixar me invadir, mas que agora transbordavam.
Diferente de Gregg, consegui me mover. Aceitei ao chamado e ao me olhar no espelho, me apaixonei pelo que vi. O brilho de vida vindo dos meus olhos me fizeram sorrir... Não era mais a mesma coisa de antes, tudo havia mudado em uma única noite, com apenas algumas horas de sono e um refletir profundo, como sempre fiz antes de todas as noites de sono.
E então estava tudo mais leve, o sol não queimava, apenas aquecia a pele fria. O vento corria por mim e enchia meus pulmões de mais e mais vida.
Ouvia tudo com clareza, enxergava tudo como realmente era.
E a melhor parte, não doía.
Estava em um corpo diferente, finalmente vivendo uma vida tranquila e por mais que tentasse me lembrar, me forçasse a lembrar de todos os outros dias tristes e sem vida, por mais que eu lembrasse deles, que eu me torturasse por eles, não doía mais.
Lógico que vida sempre se confunde, sei que nada vai ser sempre leve e cheio de sorrisos.
E o melhor de tudo é ver o brilho de vida nos olhos das pessoas. Melhor do que os dos meus olhos, ver como vivem ao me ver viver.
Sentir finalmente um abraço e gostar daquilo, ouvir palavras doces e não me sentir melancólica...
Libertei os monstros do armário, me desfiz de tudo o que me atrasava.
Daquela roupa que não me cabe mais e eu consegui entender que não vai mais caber mesmo, não adianta guardá-la. Aqueles papéis que só fazem volume, com textos desconexos e frases clichês.
Passar para frente, próxima etapa.
Descobrir que não sou mais criança e que preciso das minhas pernas para andar sozinha, decidir sozinha, sorrir e chorar... Sozinha!
Mas novamente, diferente de Gregg, estarei sozinha porque aprendi a lei da vida e dos homens, não porque me deixei fazer sofrer.
Acordei e era um corpo estranho, não conseguia me mover, apenas ouvia a vida gritar. Tinha pensamentos que antes me assustavam e que eu me recusava a deixar me invadir, mas que agora transbordavam.
Diferente de Gregg, consegui me mover. Aceitei ao chamado e ao me olhar no espelho, me apaixonei pelo que vi. O brilho de vida vindo dos meus olhos me fizeram sorrir... Não era mais a mesma coisa de antes, tudo havia mudado em uma única noite, com apenas algumas horas de sono e um refletir profundo, como sempre fiz antes de todas as noites de sono.
E então estava tudo mais leve, o sol não queimava, apenas aquecia a pele fria. O vento corria por mim e enchia meus pulmões de mais e mais vida.
Ouvia tudo com clareza, enxergava tudo como realmente era.
E a melhor parte, não doía.
Estava em um corpo diferente, finalmente vivendo uma vida tranquila e por mais que tentasse me lembrar, me forçasse a lembrar de todos os outros dias tristes e sem vida, por mais que eu lembrasse deles, que eu me torturasse por eles, não doía mais.
Lógico que vida sempre se confunde, sei que nada vai ser sempre leve e cheio de sorrisos.
E o melhor de tudo é ver o brilho de vida nos olhos das pessoas. Melhor do que os dos meus olhos, ver como vivem ao me ver viver.
Sentir finalmente um abraço e gostar daquilo, ouvir palavras doces e não me sentir melancólica...
Libertei os monstros do armário, me desfiz de tudo o que me atrasava.
Daquela roupa que não me cabe mais e eu consegui entender que não vai mais caber mesmo, não adianta guardá-la. Aqueles papéis que só fazem volume, com textos desconexos e frases clichês.
Passar para frente, próxima etapa.
Descobrir que não sou mais criança e que preciso das minhas pernas para andar sozinha, decidir sozinha, sorrir e chorar... Sozinha!
Mas novamente, diferente de Gregg, estarei sozinha porque aprendi a lei da vida e dos homens, não porque me deixei fazer sofrer.
domingo, 22 de abril de 2012
Amortecida.
Todos os dias.
Já não dói mais, já não cansa, e nem parece impossível o fato de levar a mesma vida por muitos anos, e esse fato também não traz reação alguma.
É como se o corpo respondesse as necessidades diárias, mas a mente não absorvesse as informações que chegam a ela.
Anestesiada.
Já não se sonha mais a noite, já não se deseja mais baixinho. Não se ouvem mais pedidos de aniversários e nem para as estrelas cadentes.
É tudo automático, bate e volta, nada fica, nada influencia. Obrigações diárias, acordar, sobreviver, dormir.
Uma verdade que deveria doer não faz nem cócegas. Palavras que deveria fazer sangrar, não rasgam a carne e
aquele esforço feito antigamente já não demonstra mais entusiasmo.
Era tudo colorido, mas os braços cansaram de pintar as paredes.
E aquela vegetação do jardim já tem mais vida. E a vida já não tem mais graça.
Mas não machuca, não afeta. Apenas passa.
É como estar em uma esteira, as coisas ao redor se movimentando e nenhum esforço vindo de nós. Tudo ao redor se modificando, atacando e sendo atacado, melhorando, piorando, sofrendo e sorrindo. Mas nenhuma reação vinda da esteira.
Tem toda uma falta, um silêncio preenchendo tudo e palavras engasgadas, que nunca serão ditas, porque a mente já não se importa mais com tudo aquilo ou pelo menos não se esforça. A beleza do silêncio é o barulho da falta de palavras.
O quarto escuro acomoda os antigos móveis e os medos, novos e velhos, gastos. Todos acumulados como troféus de uma batalha fracassada contra si mesmo.
Um mural de flashes da vida que foi, um dia, mais colorida, mas que hoje em dia é apenas ruido. Um ruido baixo, que não incomoda e nem se faz notar as distrações da mente paralisada.
Once upon a time....
Já não dói mais, já não cansa, e nem parece impossível o fato de levar a mesma vida por muitos anos, e esse fato também não traz reação alguma.
É como se o corpo respondesse as necessidades diárias, mas a mente não absorvesse as informações que chegam a ela.
Anestesiada.
Já não se sonha mais a noite, já não se deseja mais baixinho. Não se ouvem mais pedidos de aniversários e nem para as estrelas cadentes.
É tudo automático, bate e volta, nada fica, nada influencia. Obrigações diárias, acordar, sobreviver, dormir.
Uma verdade que deveria doer não faz nem cócegas. Palavras que deveria fazer sangrar, não rasgam a carne e
aquele esforço feito antigamente já não demonstra mais entusiasmo.
Era tudo colorido, mas os braços cansaram de pintar as paredes.
E aquela vegetação do jardim já tem mais vida. E a vida já não tem mais graça.
Mas não machuca, não afeta. Apenas passa.
É como estar em uma esteira, as coisas ao redor se movimentando e nenhum esforço vindo de nós. Tudo ao redor se modificando, atacando e sendo atacado, melhorando, piorando, sofrendo e sorrindo. Mas nenhuma reação vinda da esteira.
Tem toda uma falta, um silêncio preenchendo tudo e palavras engasgadas, que nunca serão ditas, porque a mente já não se importa mais com tudo aquilo ou pelo menos não se esforça. A beleza do silêncio é o barulho da falta de palavras.
O quarto escuro acomoda os antigos móveis e os medos, novos e velhos, gastos. Todos acumulados como troféus de uma batalha fracassada contra si mesmo.
Um mural de flashes da vida que foi, um dia, mais colorida, mas que hoje em dia é apenas ruido. Um ruido baixo, que não incomoda e nem se faz notar as distrações da mente paralisada.
Once upon a time....
domingo, 18 de março de 2012
um manual, por favor.
Estou procurando, procurando, mas não acho.
Não acho o que procuro e nem o que procurar.
Estou tentando, mas não consigo.
Não consigo nem tentar.
Caminhando por ruas escuras, por vidas vazias, por pessoas frias.
Vendo mil coisas sem enxergar nada, pensando em falar e não conseguindo dizer.
Era pra ser simples essa coisa de apenas respirar.
E falaram que era fácil essa coisa de vida.
Tudo parecia certo lendo o manual, mas acho que essa vida veio com defeito, ou é de outro modelo e o manual da caixa me ensinou errado.
Sorrio, sorrio e a cara está sempre fechada.
Acho que me esforço, mas não saio do lugar.
E passa uma, duas, três vidas equivalentes e tudo continua como se fosse antigamente.
São sete, dez, quinze passos e o lugar é o mesmo de quando nem passos tinha pensado em dar.
Penso, penso e não tenho conclusões alguma.
E de novo me esforço, me forço a melhorar. Nada.
Se ao menos eu saísse desse lugar;
O lugar não sai de mim, o episódio não sai de mim.
Sou um imã ou coisa assim. Tudo gruda e nada se desfaz.
Pobre mente incapaz de absorver o mundo.
Quatro, cinco, seis vidas não pertencentes a mim.
Por fim, fico aqui procurando o que nem sei que tenho que procurar.
Acabo achando o que era pra ter perdido.
Mas se eu nem lembrava o que procurava...
Tenho uma dúvida, se eu cair, vai ter alguém para me segurar?
Precisava de tudo isso escrito no manual.
domingo, 4 de março de 2012
lost
Acho que eu nasci para perder.
Perco a hora, perco a cabeça, perco o endereço, perco o número do teu telefone.
Perco as datas importantes, perco as festas legais, perco os encontros inesquecíveis, perco os momentos marcantes.
Perco a paciência, perco a vontade, perco o amor, perco a fome, perco o sono, perco as minhas chaves, perco meu carro no estacionamento.
Perco as pessoas.
São uma série de acontecimentos que me fazem acreditar, que por mais que eu ganhe, eu sempre estarei perdendo. Ao mesmo tempo que ganho algumas horas de sono, estou perdendo horas de diversão ou importantes minutos para não perder a hora. Aí, perco a hora, perco a diversão e no fim, perco as horas de sono, pensando em tudo o que eu perdi.
Ganho convites para sair, mas perco a vontade de ir. Ganho a vontade de ir e não recebo os convites.
Perco a paciência, perco a cabeça e consequentemente as pessoas se vão com isso.
Ou as pessoas simplesmente se vão, porque já não cabem mais em mim, perdi o amor.
Tem aquelas que se vão sem eu querer, sem eu achar que está na hora delas irem, mas elas vão mesmo assim e essas, infelizmente, nunca mais voltam. Ganho a saudade.
E a grande realidade é essa, eu nasci para perder, consequentemente, constantemente e incessavelmente.
Por esses tempos, tenho me perdido, me perdido dentro de mim mesma e das escolhas que fiz. Escolhas das quais me fizeram perder muita coisa, que me fazem sentir um grande pesar, por saber que nunca vou viver o que estava previsto para ser vivido. Perdi o tempo.
Aquela sensação de que tudo poderia ter sido diferente, de que eu deveria ter aproveitado mais e me preocupado menos, deveria ter ficado mais e corrido menos, ter sorrido e amado mais e chorado e lamentado menos. Essa sensação é a única que nunca será perdida.
Arrependimento.
Perder dói. Não falo da perda material, embora essa, às vezes, doa mais do que a perda sentimental.
O que me dói no momento é a falta eterna que sentirei.
Perco a hora, perco a cabeça, perco o endereço, perco o número do teu telefone.
Perco as datas importantes, perco as festas legais, perco os encontros inesquecíveis, perco os momentos marcantes.
Perco a paciência, perco a vontade, perco o amor, perco a fome, perco o sono, perco as minhas chaves, perco meu carro no estacionamento.
Perco as pessoas.
São uma série de acontecimentos que me fazem acreditar, que por mais que eu ganhe, eu sempre estarei perdendo. Ao mesmo tempo que ganho algumas horas de sono, estou perdendo horas de diversão ou importantes minutos para não perder a hora. Aí, perco a hora, perco a diversão e no fim, perco as horas de sono, pensando em tudo o que eu perdi.
Ganho convites para sair, mas perco a vontade de ir. Ganho a vontade de ir e não recebo os convites.
Perco a paciência, perco a cabeça e consequentemente as pessoas se vão com isso.
Ou as pessoas simplesmente se vão, porque já não cabem mais em mim, perdi o amor.
Tem aquelas que se vão sem eu querer, sem eu achar que está na hora delas irem, mas elas vão mesmo assim e essas, infelizmente, nunca mais voltam. Ganho a saudade.
E a grande realidade é essa, eu nasci para perder, consequentemente, constantemente e incessavelmente.
Por esses tempos, tenho me perdido, me perdido dentro de mim mesma e das escolhas que fiz. Escolhas das quais me fizeram perder muita coisa, que me fazem sentir um grande pesar, por saber que nunca vou viver o que estava previsto para ser vivido. Perdi o tempo.
Aquela sensação de que tudo poderia ter sido diferente, de que eu deveria ter aproveitado mais e me preocupado menos, deveria ter ficado mais e corrido menos, ter sorrido e amado mais e chorado e lamentado menos. Essa sensação é a única que nunca será perdida.
Arrependimento.
Perder dói. Não falo da perda material, embora essa, às vezes, doa mais do que a perda sentimental.
O que me dói no momento é a falta eterna que sentirei.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
difficult.
Pensamos que as coisas passaram, até nos darmos conta dos cacos que rasgam nossos pés ao longo do caminho que percorremos.
Pensamos que as dores diminuirão, até termos certeza de que os cortes não cicatrizaram e infeccionaram, devido ao contato com o chão sujo, dos caminhos que percorremos.
Aí a gente se conforma com um mundo cinza e sem graça, até que o colorido sorri e achamos que ele gosta de nós.
Mas o colorido se vai com a mesma rapidez com que captamos seu sorriso e acabamos sozinhos, doloridos e cada vez mais gelados.
Construímos muros de concreto, enormes, onde nos escondemos e nos moldamos até sermos puro gelo.
Puro medo de viver, puro medo de ser e não precisar explicar.
Me cansei das desculpas que pensei em dar, das desculpas chulas que ouvi e das péssimas desculpas que já inventei e contei, sem nem mesmo me dar conta de quão imbecil eu era por isso.
Passamos a vida pisando em cacos e virando casca vazia.
Pensamos em gritar.
Precisamos gritar.
Gritar até o coração acalmar, até o pulmão cansar, até a voz falhar e os olhos transbordarem o grito que já não se pode mais ser ouvido.
Mas não gritamos.
Calamo-nos.
Dá vontade de sumir, vontade de sair por ai.
Precisamos ser invisíveis para o mundo, mas percebemos que só conseguimos ser invisíveis para nós mesmos.
É tão difícil ser uma farsa.
Nos perdemos muito fácil na vida.
Estamos sempre um passo a frente dos outros e um atrás de nós mesmos.
domingo, 15 de janeiro de 2012
eterno enquanto dure, que dure a eternidade.
Me lembro bem da primeira vez em que ouvi falar de você.
Te descreveram para mim com tantos detalhes e eu ouvia atenta, te desejando. Se me olhasse no espelho, veria meus olhos brilhando, tenho certeza.
Toda criança sonha com um cachorrinho, mas você seria mais do que isso para mim, seria meu companheiro de vida.
Toda criança sonha com um cachorrinho, mas você seria mais do que isso para mim, seria meu companheiro de vida.
"Ele é gordinho, o único que sobrou, ninguém o quer..." E eu pensava: "Mas eu o quero!"
E aí, no dia seguinte desceram do carro contigo no colo. E era gordinho mesmo! Aquela carinha de neném arteiro, você estava todo sujo de terra.
Te peguei no colo, te apertei e te beijei mesmo sujinho. Eu já te amava.
Logo fomos comprar tua casinha, teus pratinhos e brinquedos. Compramos uma tartaruga cor de rosa que você amava, uma coleira vermelha que ficava linda em teu pescoço pretinho...
Te dei banho, te dei comida, te dei colo. Você adorava passear no carrinho de bonecas da Luísa e ela te detestava por isso, rs.
Aquelas manias com que você chegou, também me matavam! Comia os rolos de papel higiênico, roubava as colas do material escolar da Luísa e comeu os sofás da sala da minha mãe.
Jurava que você não duraria mais do que dois meses aqui em casa, ainda mais depois de todas as inúmeras artes.
Jurava que você não duraria mais do que dois meses aqui em casa, ainda mais depois de todas as inúmeras artes.
O tempo foi passando e de criança arteira você passou a companheiro de vida. Todos os detalhes mais alegres e mais tristes, foi no seu colinho que me acolhi.
Sua paixão por alface, sua vontade enorme de abrir a porta quando a campainha toca e de atender ao telefone. Suas corridas pela casa, onde chegando ao quarto da minha mãe, você dá um pulinho para passar da porta.
Amo esses olhinhos brilhantes e esse seu jeitinho carinhoso de se enroscar em mim. Tenho ataques quando você passa a noite tentando dormir tão colado a mim, que acordo dolorida no dia seguinte.
Você é quem sabe das minhas verdades, minhas dores, amores e felicidades. Pareço uma boba te contando meu dia, minhas coisas e sei que você está me entendendo.
Teu amor é tão grande e tão puro. Você, instantaneamente, ama tudo e todos que te olhem com carinho, que te estendam a mão, quando você dá um de seus pulos de boas-vindas e que te deixe dar uma cheiradinha em suas roupas, até se familiarizar.
E como não falar em suas noites de sono pesado e sonhos? Quando você não está roncando feito um homem adulto, está correndo deitado e fazendo barulhos de bolhas de água. Um dia ainda irei filmá-lo.
Você conquistou o coração de todos. Sua missão na Terra foi trazer amor e proximidade para dentro da minha casa.
Minha mãe sempre detestou cachorro dentro de casa, todos foram doados, ou levados para a casa dos meus avós, mas você não, você com essa sua barriga gorda, essa carinha de criança, derreteu o gelo.
Me pergunto como é capaz de existir tanta bondade, compaixão, amor e felicidade em uma única criaturinha.
Sabe, você se preocupa com todos, se estamos doentes, você não sai do nosso lado, se vamos viajar, você entra em depressão de saudades. E é recíproco. Eu sei que você sabe, eu sei que você tem certeza em seu coraçãozinho de que é muito amado, assim como nos ama.
Agora, você já está velhinho e os dias ao seu lado estão mais difíceis. Como nós, seres humanos, você cria manias de velhinhos e nossa, me deixa louca às vezes. Mas tem tanto amor pra dar, tem tanto amor para receber, que suas artes e manias são bobagens.
Já encontrei cinco dentinhos seus. Chorei. Chorei muito, porque é, infelizmente, uma contagem regressiva, uma luta contra o tempo e o inevitável.
Por mais que eu queira, que todos nós tenhamos vontade e necessidade de você, uma hora você irá descansar. E eu irei chorar.
Amo poucas pessoas na vida. Mas você, é o maior de todos, simplesmente porque não se importa se estou bem vestida ou com roupas sem combinações, se estou maquiada ou se meu cabelo está sujo. Você simplesmente não precisa que eu tenha um carro, que eu saiba falar bem e me portar em público. Só precisa que eu chegue em casa e fale o teu nome, já é o suficiente.
Você me entregou seu coração desde o primeiro dia que me viu. E conquistou o meu.
Sua paixão por alface, sua vontade enorme de abrir a porta quando a campainha toca e de atender ao telefone. Suas corridas pela casa, onde chegando ao quarto da minha mãe, você dá um pulinho para passar da porta.
Amo esses olhinhos brilhantes e esse seu jeitinho carinhoso de se enroscar em mim. Tenho ataques quando você passa a noite tentando dormir tão colado a mim, que acordo dolorida no dia seguinte.
Você é quem sabe das minhas verdades, minhas dores, amores e felicidades. Pareço uma boba te contando meu dia, minhas coisas e sei que você está me entendendo.
Teu amor é tão grande e tão puro. Você, instantaneamente, ama tudo e todos que te olhem com carinho, que te estendam a mão, quando você dá um de seus pulos de boas-vindas e que te deixe dar uma cheiradinha em suas roupas, até se familiarizar.
E como não falar em suas noites de sono pesado e sonhos? Quando você não está roncando feito um homem adulto, está correndo deitado e fazendo barulhos de bolhas de água. Um dia ainda irei filmá-lo.
Você conquistou o coração de todos. Sua missão na Terra foi trazer amor e proximidade para dentro da minha casa.
Minha mãe sempre detestou cachorro dentro de casa, todos foram doados, ou levados para a casa dos meus avós, mas você não, você com essa sua barriga gorda, essa carinha de criança, derreteu o gelo.
Me pergunto como é capaz de existir tanta bondade, compaixão, amor e felicidade em uma única criaturinha.
Sabe, você se preocupa com todos, se estamos doentes, você não sai do nosso lado, se vamos viajar, você entra em depressão de saudades. E é recíproco. Eu sei que você sabe, eu sei que você tem certeza em seu coraçãozinho de que é muito amado, assim como nos ama.
Agora, você já está velhinho e os dias ao seu lado estão mais difíceis. Como nós, seres humanos, você cria manias de velhinhos e nossa, me deixa louca às vezes. Mas tem tanto amor pra dar, tem tanto amor para receber, que suas artes e manias são bobagens.
Já encontrei cinco dentinhos seus. Chorei. Chorei muito, porque é, infelizmente, uma contagem regressiva, uma luta contra o tempo e o inevitável.
Por mais que eu queira, que todos nós tenhamos vontade e necessidade de você, uma hora você irá descansar. E eu irei chorar.
Amo poucas pessoas na vida. Mas você, é o maior de todos, simplesmente porque não se importa se estou bem vestida ou com roupas sem combinações, se estou maquiada ou se meu cabelo está sujo. Você simplesmente não precisa que eu tenha um carro, que eu saiba falar bem e me portar em público. Só precisa que eu chegue em casa e fale o teu nome, já é o suficiente.
Você me entregou seu coração desde o primeiro dia que me viu. E conquistou o meu.
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