São tristes as passagens da vida.
Muitos se vão e pouquíssimos ficam.
Era apenas mais um dia de primavera, em meio a uma luta sobrenatural para manter-se sã.
Ela sempre teve dificuldade em se apegar, mas descativar-se era sacrificante.
Quando tudo indicava que ficaria bem, baque.
Não é perda de tempo dedicar-se a rosa, mas às vezes os ferimentos, causados pelos espinhos, fazem-na ter vontade de deixar para lá.
Mas quando ela vê aquele sorriso...
São tristes as passagens da vida, principalmente aquelas em deixar ir, deixar vir, deixar fluir.
Quem poderá garantir-lhe que amanhã tudo estará bem?
Quem lhe trará coragem, para enfrentar o medo do diálogo que pode sufocar?
E ela não sabe cuidar nem dela mesma, como poderá cuidar da rosa tão teimosa.
Aquela rosa que precisa de tantos cuidados e olhos só para ela.
Por fim, ela apenas tem medo de estar fechada nessa insegurança, e pior, ter escolhido ficar fechada nesse lugar.
Mas cativou-se, por mais complexo que esse ato seja.
E volta e meia encontra, reencontra, reconquista, reconstrói o sentido do cativar.
Deixa pra lá, são sempre tristes as passagens da vida.
Deixar passar, deixar para lá, deixar.
Mas a rosa está lá, ela precisa cortar os baobás, ela precisa protegê-la do frio, protegê-la do mal.
Ela precisa se proteger.
Quando tudo era apenas sonho por um carneiro, veio a rosa.
São tão tristes as passagens da vida.
Aquele olhar gela.
Por favor, ela implora, fique mais um pouco, me abrace mais uma noite, encaixe seus dedos em minha cintura, envolva meus braços com seus abraços e puxe meus cabelos.
Ela só precisa se descativar, mas o cativar é que a mantém sã.
Escreva mais, por favor.
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