Era tarde da noite. Na verdade não tão tarde, mas bem noite, daquelas que se apagar as luzes, nada pode ver.
Estava ali sentada, meio deitada, meio não estando ali de verdade.
Algo consumia todos os seus pensamentos, todas as suas vontades e todos os comandos de seus ossos e músculos.
Queria tanto sair correndo, mas só conseguia estar ali, sem estar realmente ali.
Foi quando não sabe onde, como e nem porquê, levantou-se e seguiu aquele caminho que não era o certo, mas era o que precisava seguir.
Sem saber onde estava indo, onde iria parar e como as coisas sairiam. Simplesmente se foi.
Já era mais tarde do que noite, e se pegou parada em um novo lugar. Sentada, quase deitada, mas dessa vez, estando ali de verdade.
Era ali que precisava estar, era aquilo que precisava ver e sentia falta de sentir aquilo.
Esmagava-lhe a garganta, o peito, fazia os olhos arder. Era como estar infartando, o corpo todo tremendo, mas era aquilo que motivava.
Os laços nunca são laços de verdade, se não estão verdadeiramente amarrados, que chegam a prender a circulação, fazendo-lhe sufocar.
Corpos doloridos, olhos de ressaca, quase podia entender Capitu.
Como ser fiel a um desejo que nem mesmo o próprio desejo é capaz de entender?
Em meio a todos esses meios, estava ali, mais noite do que tarde, novamente, já não estando ali, agora sentada, não meio deitada, se apressando para levantar e correr.
Todos os sonhos sufocados pelo laço, todos os caminhos sem direção.
Como entender quando não há consenso entre sentimento e razão?
Amanheceu, levantou e viveu.
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