Poucos me suportaram até hoje. Aliás, exalte bem, destaque a palavra poucos.
Meu maior sonho, a vida toda, foi sair dessa cidade. Aqui nunca foi o meu lugar e eu nunca suportei a hipótese de viver a vida inteira aqui. Nunca tive grandes amigos, nunca tive interesse em nada daqui. Pesadelo.
Era um amigo aqui, uma amiga ali e sempre milhões a me apontar. Nunca me incomodei, sempre incomodei aos outros... Tinha aquela vez ou outra que eu me estressava: 'Porra, da pra parar de me olhar torto? Nunca te fiz nada.' Mas depois passava... Sempre gostei de chocar, era engraçado ver as pessoas com uma imagem sobre mim, completamente diferente da realidade. Era assim que eu me protegia do mundo, ainda me protejo.
Um romance sem graça aqui, um jogo interessante ali. Sempre encarei assim: jogo.
Como meu avô diz, e hoje penso que ele muito certo está, de alguma forma, não existe amor. È só uma palavra para definir o sentimento de desejo que sentimos por outra pessoa. Não só desejo de sexo, mas desejo de estar perto, de se sentir importante. Coisas assim.
Bom, cresci. Cresci sendo detestadas por muitos, mas realmente amada pelos poucos que conseguiram me aturar. Já fui definida por uma amiga como jaca: dura por fora e mole por dentro. E também como 8 ou 80: ou amam muito, ou odeiam de coração, rs.
Não reclamo, pelo contrário, porque sei que esses poucos já passaram por todos os meus testes. Porque sim, sou dessas que testam as pessoas. Muitos, opa! Pera lá, cadê você quando a coisa ficou feia? Cadê você depois que eu surtei... Pois é, meus testes, minha confiança.
Até que um dia eu não testei, apenas estava em mais um dos meus jogos e pronto, cai em mim. Era essa a vida que eu queria para mim. Tinha bons amigos, uma boa convivência dentro de casa e uma pessoa que eu não me importei em testar, apenas acreditei e ainda acredito nela, sem mesmo saber o porquê.
Tudo bem, então porque estou reclamando? Pois é, as coisas nunca são boas por tempo suficiente.
Um ano termina, outro começa e as coisas ainda estavam bem, minha vida ainda era a que eu desejava, apesar de não ser um conto de fadas. Aliás, sempre esteve bem longe dessa categoria, mas eu nunca quis isso, também. Não tenho vocação pra otária, apesar de muitas vezes fazer bem esse papel.
Mas, voltando..
Eu ganhei bons amigos, não só porque passaram em meus testes, mas porque eu cultivei dentro de mim, sentimentos cada vez mais fortes por eles. Coisa que eu nunca havia feito antes. Não eram muitos, mas para mim, sempre foram grandes.
Comecei a me afeiçoar a essa cidade tão maldita, antigamente. Quando tive a oportunidade de ir embora, abandonar tudo e sumir, não quis. Não era mais a minha prioridade sumir daqui, eu não estava mais sozinha, tanto dentro, quanto fora de mim, me sentia completa.
Mas as coisas não são definidas apenas por mim. Meus bons amigos tiveram que ir.
Não ir só de mudança, mas ir também de me deixar só. Não porque eles queriam, mas porque todo mundo precisa crescer mais e mais, a cada dia.
A cidade é tão pequena e medíocre novamente e eu me sinto cada vez mais sozinha e com vontade de ser engolida pelo colchão da minha cama.
Hoje recebi uma mensagem que me fez chorar por uma hora.
Foi aquela saudades que dói, aquela dor que não se sabe de onde vem, mas também não tem como pará-la.
Uma dor indescritível que só quem à sente, sabe do que estou falando.
E agora é assim, só a dor que resta, enquanto eu continuo nessa cidade e vejo novamente a vida passar e sinto novamente essa vontade incontrolável de ir embora daqui. Numa tentativa desesperada, de fazer a dor da saudades passar.
Mas essa não é uma opção.
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