sábado, 30 de julho de 2011

perfection.

Não, eu não gostei de você logo de cara. Também não foi na primeira vez que nos falamos que eu senti que te desejava. Muito menos a primeira vez que você me tocou,
não foi a sensação necessária.
Ai também nada foi sempre cor de rosa claro, limpo. O céu nunca foi azulzinho
sem nuvens e violinos nunca foram nossos instrumentos favoritos
para embalar os momentos.
Sempre fomos cinza, branco com listras pretas, ou
simplesmente pretos por completo. Sempre fomos barulho, um barulho incontrolável, muitas vezes ensurdecedor e indistinguível.
Era o barulho que acalmava o tormento e logo em seguida causava mais tormento ainda.
Nunca fomos amorzinhos, abraços e segredos. Sempre fomos apuros,
correrias e decepções.
Fomos muito companheirismo, ajudas e mentiras.
Mas sabe, eu jamais trocaria toda a nossa confusão por um lugar tranquilo.
Eu gosto do barulho e do nosso céu de inverno. Eu prefiro nossos toques de hoje, mudos, surdos e congelantes.
Gosto de dormir de mãos dadas e não de conchinha, contigo.
Eu não vou mentir que quero mais. Eu quero mais sim,
mas quero mais disso, nunca do que não tivemos e sempre tentamos ter. Eu quero mais de mim, mais de você e mais do que podemos ser.
Cada pedaço do meu corpo implora pelos dias de chuva ao teu lado e pelas estrelas que raramente víamos juntos. Meu corpo te pede fotos da lua e mais tapas na bunda,
como aquele primeiro que lhe dei, sem nem nos conhecermos, na escada.
Meu coração vibra ao som da tua voz e gargalha a cada risada tua.
E metade de mim é você e eu só lamento por metade de você não ser eu.
Não é por nada, não, mas nem tudo o que é certo é perfeição. Eu adoro o nosso erro.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

sweet...?

Me decepciono constantemente com as pessoas. Todas elas, sem exceções.
Sei que a culpa de todas essas decepções são minhas, já que espero muito até de quem não tem nada a oferecer. Mesmo sabendo que esse alguém não tem nada a me oferecer.
Às vezes eu tenho a certeza de que está tudo errado. Antigas amizades, antigos amores, antigas decepções... Não era para eu estar aqui, mas não vejo o caminho de volta.
As pessoas machucam.
Espero todas as noites por um sentimento de alívio, de poder colocar minha cabeça no travesseiro com a certeza de que vou acordar e as coisas vão estar como eram, cada uma em seu devido lugar.
Nunca fiz questão de que gostassem de mim, mas isso não significa que não quero que gostem. Só não me peça para ser uma coisa que eu não consigo ser, uma coisa que eu não sou.
Sei que sem essa mudança necessária, minha vida será uma coleção de mágoas e decepções. Quebrar a cara. Mas não sei ser melhor e nem pior.
Só aprendi a ser eu mesma e sinceramente, não faço esforço nenhum para sair do lugar onde me encontro. Até porque, não encontro o caminho de volta... Vou continuar parada.
E por fim eu desculpo tudo. Sempre foi assim. As pessoas pisam, as pessoas magoam e dão raiva, logo em seguida se 'arrependem' e vêm com mil desculpas e um sorriso. Tudo bem, já passou... Dê sua mão para mim e vamos em frente.
Ali na frente eu caiu de novo, sozinha, sem tua mão para me segurar. Eu sei que é assim e que sempre será. Mas eu não consigo parar...
Não gosto de acreditar na maldade que existe, prefiro me fazer de alienada a essa realidade tão triste.
Mas dói... Não é porque eu estou sorrindo que não sinto dor.
O mundo me mostrou desde pequena que por mais dor que se possa estar sentindo, é essencial um sorriso no rosto para não fazer triste aqueles que nos querem bem e muito menos fazer feliz, aqueles que só querem nossas lágrimas.
Não sou santa, também. Tenho muita maldade em meu coração, mas ninguém para pra conhecer, ninguém quer respeitar.
E eu só posso continuar aqui, até que a porta se abra, o caminho se ilumine e eu ache o meu lugar de volta. Esperando por um dia em que eu possa pousar lentamente minha cabeça no travesseiro, com a certeza de que no dia seguinte, acordarei em paz.

domingo, 17 de julho de 2011

São Paulo 10°, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos.

A maioria das canções falam de uma casinha no campo, um céu limpo e azul... Pássaros cantando.
Vida calma, sossego, vizinhos que se conhecem e se cumprimentam ao se ver na rua...
Mas não, meu amor vai além disso. Sempre foi muito real essa minha paixão.
Quando pequena passei a maior parte dos meus dias aqui. Quando cresci, a frequência diminuiu devido a empessílios de quem cresce, mas minha paixão era cada vez maior.
Eu gosto do céu cinza, do chuvisco rotineiro, desse friozinho que mesmo fazendo sol, temos que usar uma blusa de frio levinha. Gosto do som dos carros, o barulho dos helicópteros sobrevoando a minha casa e das luzes que nunca são apagadas.
Me perco em delírios e pensamentos olhando para os prédios sem fim, amo as calçadas que nunca acabam e as avenidas que são entupidas de carros e pessoas.
Aqui ninguém se conhece, ninguém te aponta, ninguém sabe quem você é. Tenho a comodidade de sair de casa de pijama sem que ninguém se importe ou comente seguidamente ao acontecimento.
Se eu quiser sair segunda, terça, quarta, quinta e passar o final de semana em casa, eu posso. Se quiser ficar a semana e o final de semana para a rua, também posso. Falta do que fazer aqui não é problema e por mais que o acesso aos lugares seja bem difícil, eu não me incomodo de perder algumas horas para chegar em lugares que me deixam fascinada.
E as pessoas que por essas ruas circula? Cada qual com a tua personalidade, cada qual com um rosto, um gosto e um pensamento. O tempo corre e elas também. Desde as deslumbrantemente bem vestidas, até as exóticamente chocantes.
É o bom e o ruim, o rico e o pobre, os problemas e as soluções correndo lado a lado em uma mesma rua.
É o choque, a cultura, a correria do dia-a-dia. Abro os olhos na primavera, almoço no verão, passo a tarde no outono e durmo no inverno.
Qualquer oportunidade maior que tenho, corro para suprir meu vício dessa paixão tão unicamente minha. Como se eu morresse um pouquinho a cada dia longe dessa cidade tão deslumbrante.
Sempre gostei da correria, da pressa, das pessoas que não se conhecem e são tão distintas. Sempre amei os prédios altos, acabados e inacabados. Como meu priminho fala: 'mais um prédio, Lilinha?' Mais um, lindinho, mais um. Ainda bem, mais um...
Temos os parques sem fim, também. Lindos, sempre verdes e floridos. Lotados, crianças correndo e brincando, outras tantas pessoas dando uma corrida em seu intervalo de trabalho. Piqueniques embaixo das árvores...
E o amor por nossos times! Brigamos mesmo, somos fascinados. O canto dos estádios, os uniformes, a torcida e os gritos. Nossos times tão nossos, que nos deixam cegos de amor e sede de vitória.
Só eu sei quão completa sou aqui, quão inteiramente feliz eu sou quando estou vivendo aqui.
Meu corpo, meu coração e minha alma são e sempre foram inteiramente paulistanos.

sábado, 9 de julho de 2011

amor coceguinhas.

Eram feito imãs

.

Às vezes se atraiam, outras tantas se repeliam. Mas eram imãs

um do outro.

Aqueles cabelos castanhos, aqueles olhos que nem mesmo ela, que os conhecia tão bem, sabia explicar como eram esses olhos. Não eram como os de Capitu, que eram olhos de ressaca, estavam mais para os olhos futuristas de Clarice Lispector

, mas a cor... Ela não sabia explicar, por mais que tentasse.

E tentava. Pelo menos havia tentado um dia. Hoje já não mais, apenas admirava e se deslumbrava com olhos tão...

Mas voltando aos cabelos castanhos, tão dela, bons para agarrar mas nem sempre suficientes para isso. Eles poderiam estar arrumadinhos como sempre ou uma bagunça

completa... Estavam sempre lindos e não há quem a faça desistir dessa ideia.

Tinha também uma coisinha no canto da boca... Um sorriso contido, tímido. Um sorriso que quando se revelava dava gosto de sorrir junto. Dizem que os olhos são o espelho da alma, mas aquele conjunto de sorriso e olhos eram mais que isso. Os olhos sorriam, mas não como aquele meio tímido que aparecia ao canto da boca.

E ela se deixava invadir por um torpor único e só dela. Ela sabia que mais ninguém sentiria aquilo por pessoa alguma, a não ser por ele. E ela sabia que outras pessoas sentiriam sim, essa mesma coisa que ela sentia ao vê-lo e sentia uma pontada no peito, pois ele nunca seria exclusivamente dela.

Um erro...

Um grande erro vindo de uma caixa de muitos outros erros existentes, mas que ela não se cansava de comete-los e nem se arrependia de te-los cometido.

Aquele cheiro vindo da roupa dele era tão...Tranquilizador, sim, é essa a palavra que vem a sua mente quando tenta descreve-lo. Um cheiro que acalma, daqueles cheiros que tem em cama de mãe, sabem? Aquele cheiro que nos dá tanta proteção

, tanta segurança e tranquilidade que nos faz dormir em segundos, um sono confortável, um sono único...

Se ela pudesse passaria a noite olhando para aqueles olhos indescritíveis, mexendo naqueles cabelos tão perfeitos e milimetricamente

bem cuidados. Provocando aquele risinho tímido de cantinho de boca e sentindo aquele cheiro envolta a mil braços e abraços e cobertores...

Mas eram como imãs

. Ou muito se atraiam ou muito se repeliam.

Uma pena, grandessíssima

pena. Para ambos, que poderiam ser tão eles, mas que foram apenas dois.

Dois ótimos

, dois perfeitos, mas dois.

Antes ela não conseguia terminar tais descrições ou tentativas sem olhos marejados, sem mãos tremulas e frases clichês. Hoje ela sorri ao se lembrar, ao se esforçar a contar e arrumar adjetivos

para tais coisas que a atraem tanto.

Amor não morre e não se repele. Apenas corpos se afastam.

Mas as mãos... As mãos que sempre são necessárias estão sempre dispostas a agarrar qualquer chance de fazer valer. Aquelas mãos sempre esticadas ou entrelaçadas deles, era como um: 'eu estou aqui para sempre.', um acordo mútuo e mudo entre eles.

Isso ninguém poderia lhes tirar. O silêncio do acordo cego existente. Não importa se tentem, esse é só deles.