sábado, 9 de julho de 2011

amor coceguinhas.

Eram feito imãs

.

Às vezes se atraiam, outras tantas se repeliam. Mas eram imãs

um do outro.

Aqueles cabelos castanhos, aqueles olhos que nem mesmo ela, que os conhecia tão bem, sabia explicar como eram esses olhos. Não eram como os de Capitu, que eram olhos de ressaca, estavam mais para os olhos futuristas de Clarice Lispector

, mas a cor... Ela não sabia explicar, por mais que tentasse.

E tentava. Pelo menos havia tentado um dia. Hoje já não mais, apenas admirava e se deslumbrava com olhos tão...

Mas voltando aos cabelos castanhos, tão dela, bons para agarrar mas nem sempre suficientes para isso. Eles poderiam estar arrumadinhos como sempre ou uma bagunça

completa... Estavam sempre lindos e não há quem a faça desistir dessa ideia.

Tinha também uma coisinha no canto da boca... Um sorriso contido, tímido. Um sorriso que quando se revelava dava gosto de sorrir junto. Dizem que os olhos são o espelho da alma, mas aquele conjunto de sorriso e olhos eram mais que isso. Os olhos sorriam, mas não como aquele meio tímido que aparecia ao canto da boca.

E ela se deixava invadir por um torpor único e só dela. Ela sabia que mais ninguém sentiria aquilo por pessoa alguma, a não ser por ele. E ela sabia que outras pessoas sentiriam sim, essa mesma coisa que ela sentia ao vê-lo e sentia uma pontada no peito, pois ele nunca seria exclusivamente dela.

Um erro...

Um grande erro vindo de uma caixa de muitos outros erros existentes, mas que ela não se cansava de comete-los e nem se arrependia de te-los cometido.

Aquele cheiro vindo da roupa dele era tão...Tranquilizador, sim, é essa a palavra que vem a sua mente quando tenta descreve-lo. Um cheiro que acalma, daqueles cheiros que tem em cama de mãe, sabem? Aquele cheiro que nos dá tanta proteção

, tanta segurança e tranquilidade que nos faz dormir em segundos, um sono confortável, um sono único...

Se ela pudesse passaria a noite olhando para aqueles olhos indescritíveis, mexendo naqueles cabelos tão perfeitos e milimetricamente

bem cuidados. Provocando aquele risinho tímido de cantinho de boca e sentindo aquele cheiro envolta a mil braços e abraços e cobertores...

Mas eram como imãs

. Ou muito se atraiam ou muito se repeliam.

Uma pena, grandessíssima

pena. Para ambos, que poderiam ser tão eles, mas que foram apenas dois.

Dois ótimos

, dois perfeitos, mas dois.

Antes ela não conseguia terminar tais descrições ou tentativas sem olhos marejados, sem mãos tremulas e frases clichês. Hoje ela sorri ao se lembrar, ao se esforçar a contar e arrumar adjetivos

para tais coisas que a atraem tanto.

Amor não morre e não se repele. Apenas corpos se afastam.

Mas as mãos... As mãos que sempre são necessárias estão sempre dispostas a agarrar qualquer chance de fazer valer. Aquelas mãos sempre esticadas ou entrelaçadas deles, era como um: 'eu estou aqui para sempre.', um acordo mútuo e mudo entre eles.

Isso ninguém poderia lhes tirar. O silêncio do acordo cego existente. Não importa se tentem, esse é só deles.

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