não foi a sensação necessária.
Ai também nada foi sempre cor de rosa claro, limpo. O céu nunca foi azulzinho
sem nuvens e violinos nunca foram nossos instrumentos favoritos
para embalar os momentos.
Sempre fomos cinza, branco com listras pretas, ou
simplesmente pretos por completo. Sempre fomos barulho, um barulho incontrolável, muitas vezes ensurdecedor e indistinguível.
Era o barulho que acalmava o tormento e logo em seguida causava mais tormento ainda.
Nunca fomos amorzinhos, abraços e segredos. Sempre fomos apuros,
correrias e decepções.
Fomos muito companheirismo, ajudas e mentiras.
Mas sabe, eu jamais trocaria toda a nossa confusão por um lugar tranquilo.
Eu gosto do barulho e do nosso céu de inverno. Eu prefiro nossos toques de hoje, mudos, surdos e congelantes.
Gosto de dormir de mãos dadas e não de conchinha, contigo.
Eu não vou mentir que quero mais. Eu quero mais sim,
mas quero mais disso, nunca do que não tivemos e sempre tentamos ter. Eu quero mais de mim, mais de você e mais do que podemos ser.
Cada pedaço do meu corpo implora pelos dias de chuva ao teu lado e pelas estrelas que raramente víamos juntos. Meu corpo te pede fotos da lua e mais tapas na bunda,
como aquele primeiro que lhe dei, sem nem nos conhecermos, na escada.
Meu coração vibra ao som da tua voz e gargalha a cada risada tua.
E metade de mim é você e eu só lamento por metade de você não ser eu.
Não é por nada, não, mas nem tudo o que é certo é perfeição. Eu adoro o nosso erro.
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