Vida calma, sossego, vizinhos que se conhecem e se cumprimentam ao se ver na rua...
Mas não, meu amor vai além disso. Sempre foi muito real essa minha paixão.
Quando pequena passei a maior parte dos meus dias aqui. Quando cresci, a frequência diminuiu devido a empessílios de quem cresce, mas minha paixão era cada vez maior.
Eu gosto do céu cinza, do chuvisco rotineiro, desse friozinho que mesmo fazendo sol, temos que usar uma blusa de frio levinha. Gosto do som dos carros, o barulho dos helicópteros sobrevoando a minha casa e das luzes que nunca são apagadas.
Me perco em delírios e pensamentos olhando para os prédios sem fim, amo as calçadas que nunca acabam e as avenidas que são entupidas de carros e pessoas.
Aqui ninguém se conhece, ninguém te aponta, ninguém sabe quem você é. Tenho a comodidade de sair de casa de pijama sem que ninguém se importe ou comente seguidamente ao acontecimento.
Se eu quiser sair segunda, terça, quarta, quinta e passar o final de semana em casa, eu posso. Se quiser ficar a semana e o final de semana para a rua, também posso. Falta do que fazer aqui não é problema e por mais que o acesso aos lugares seja bem difícil, eu não me incomodo de perder algumas horas para chegar em lugares que me deixam fascinada.
E as pessoas que por essas ruas circula? Cada qual com a tua personalidade, cada qual com um rosto, um gosto e um pensamento. O tempo corre e elas também. Desde as deslumbrantemente bem vestidas, até as exóticamente chocantes.
É o bom e o ruim, o rico e o pobre, os problemas e as soluções correndo lado a lado em uma mesma rua.
É o choque, a cultura, a correria do dia-a-dia. Abro os olhos na primavera, almoço no verão, passo a tarde no outono e durmo no inverno.
Qualquer oportunidade maior que tenho, corro para suprir meu vício dessa paixão tão unicamente minha. Como se eu morresse um pouquinho a cada dia longe dessa cidade tão deslumbrante.
Sempre gostei da correria, da pressa, das pessoas que não se conhecem e são tão distintas. Sempre amei os prédios altos, acabados e inacabados. Como meu priminho fala: 'mais um prédio, Lilinha?' Mais um, lindinho, mais um. Ainda bem, mais um...
Temos os parques sem fim, também. Lindos, sempre verdes e floridos. Lotados, crianças correndo e brincando, outras tantas pessoas dando uma corrida em seu intervalo de trabalho. Piqueniques embaixo das árvores...
E o amor por nossos times! Brigamos mesmo, somos fascinados. O canto dos estádios, os uniformes, a torcida e os gritos. Nossos times tão nossos, que nos deixam cegos de amor e sede de vitória.
Só eu sei quão completa sou aqui, quão inteiramente feliz eu sou quando estou vivendo aqui.
Meu corpo, meu coração e minha alma são e sempre foram inteiramente paulistanos.
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