domingo, 25 de dezembro de 2011

me encantou.

E aí que chega dezembro e é um misto de luzes, festas, hipocrisias e família.
Não curto.
Não é nem pelo fato de o Natal ser um ritual religioso e eu não acreditar nessas coisas, ou por ser uma data que, necessariamente, temos que passar com familiares. 
É pela hipocrisia de todos os atos. 
As pessoas passam o ano todo pouco se importando com seus atos mesquinhos e egoístas, não ligam para a família, não fazem caridade e muito menos vão a igreja ou espalham o bem. 
E aí, uma semana antes da noite de véspera de Natal, até dia 25 de dezembro, passam desejando energias positivas, cobrando atitudes e palavras bonitas... O tão conhecido 'espírito de Natal'.
Lamento, mas meu espírito é de porco o ano todo, não vai ser nesses dias que irá mudar.
Me encanto sim, com toda a beleza das decorações, com a inocência das crianças todas felizes e realmente desejando que todos tenham o melhor. A 'magia do Natal' me encanta, apenas.
Gosto do ritual de montar à árvore no dia do aniversário da minha irmã, com ela e minha mãe, de escolher os presentes para as pessoas que amo e do almoço do dia 25, com as duas. Mas só.
Quando eu era pequena, o que mais me encantava, era a mesa enorme da casa da minha avó, com todas as minhas primas ao redor e meu avô sentado na ponta. Cresci, minhas primas cresceram, meu avô descansou... 
E me restou apenas o encantamento pelas decorações e pequenos e poucos rituais com minha pequena família.
Esse ano foi importante, pude, enfim, passar com a minha avó, depois de longos quatro anos.
Prometi que aproveitarei cada segundo que puder ao lado dela, cada ocasião que me for permitida e cada ritual antigo que tiver a oportunidade de resgatar.
Não desejo 'Feliz Natal' há ninguém, não fico triste se não me desejarem, mas recebi uma mensagem simples, que realmente me fez feliz. Sem falsidade, sem forçar a barra, sem tentar ser o que não é. 
Esse ano, foi para mim, apenas simplicidade e carinho recíproco. 
A magia do Natal me encantou mais esse ano. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

aquele quebra-cabeças de 500 peças.

Me falaram pra crescer e aparecer. 
Cresci, apareci e incomodei.
Me mandaram sentar e esperar. 
Esperei com paciência, mas nada tem um prazo certo.
Devo ainda estar esperando e nem ao menos sei o quê.
Diziam sempre pra eu me comportar, dessa eu desisti.
Estudar, crescer, aprender, esperar, me comportar. 
Bah, quanta coisa. Joguei tudo para o ar.
E é aí que está, jogue fórmulas fora, siga outras poucas... 
Faça as suas próprias. 
Meus antibióticos venceram, meus calmantes me deixaram nervosa. 
A vida viveu e se confundiu. Vivenciou e guardou pra si.
Escondeu, partiu, se quebrou.
Na mania de fazer tudo certo, veio tudo errado.
Meu quebra-cabeças faltou peças, não tenho como terminar.
Era pra ser mais fácil, para as expectativas serem supridas e os planos confirmados positivamente.
Relaxar, me divertir. Crescer, aparecer, esperar... 
Não cabe tudo não. 
Tudo não passa de um curto espaço, sem tempo de respiração.
Com apenas um piscar de olhos as coisas correm e mudam de lugar e não tem mais solução.
Pois é, cadê os planos que estavam aqui? 
Caídos no chão, à muito já não me servem mais.
Ouvi dizer que era pra ser, que os sonhos não escorreriam das minhas mãos.
Enganos cometidos, um ano vivido, agora caído no chão.
Olhar atento, corre contra o vento,
Pensando ser essa a direção.
Acalma as mãos, aquece o coração.
Silêncio.
Me mandaram crescer e aparecer. 
Cresci. 
Não me disseram que para aparecer precisava passar por tanto.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

a saudades que eu gosto de ter.

Nostalgia é uma desgraça, sabe? haha'
E bate aquela saudades enorme!
Eu tinha 11 anos e detestava aquele lugar, não me dava bem com aquelas pessoas e nem tentava... 12, 13, 14, me acostumei. Com 15 comecei a ser verdadeiramente feliz lá dentro, hoje eu sei disso com toda a certeza do meu coração. Aos 16 eu tinha bons amigos, grandes colegas, um amor e adoráveis professores, todos que ganhei de presente daquele lugar.
Quando cheguei aos 17, vi minha estrada chegar ao fim de lá, para que eu pudesse entrar em um novo estágio da minha vida. A essa altura já não era apenas eu ali dentro, tinha ótimos, grandessíssimos amigos, admiráveis professores amados, uma história de vida... Fazíamos parte não de um grupo, mas sim, formávamos uma grande família, onde cada um tinha um jeito, um gosto, um olhar no rosto e esperanças no coração...
Nos prometemos que, como aquele seria o último ano juntos ali, faríamos dele o melhor de nossas vidas. Hoje eu afirmo o que antes já afirmava, só que agora com mais convicção, de que nós realmente conseguimos! Foi o melhor ano da minha vida!
É uma saudades gostosa, de todas as histórias, todos os dias, todas as aulas dormidas, os conteúdos aprendidos, as choradeiras e risadas dadas no colo da professora, irmã mais velha, de português. Saudades das invenções do professor de biologia e de seus bons dias inspiradores. Faltam as broncas da professora de química para que não sentássemos no colo uns dos outros, para não dar mal exemplo às crianças do pré. Saudades do professor de matemática, acordando a turminha para as notas. Falta das aulas descontraídas de geografia, das aulas alucinadas de história com o professor e seu jeitão...
Sempre pensei que sairia de lá e seguiria meu caminho sem vínculo nenhum com aquele ambiente. Até porque, quando ali estava, sempre me perguntava porquê de ex alunos aparecerem tanto lá, para rever todos. Hoje eu sei.
Hoje posso ver que é impossível falar de mim, contar minha vida, sem sitar pelo menos o nome de uma pessoa de lá. Como eu amo aquele lugar e aquelas pessoas...!
Sabe, aproveitem, aproveitem muito enquanto vocês ainda podem. Cada segundo de vida, cada suspiro existente, não deixem ser em vão. Aproveitem! Esse será o amor eterno de vocês, nunca, em lugar algum, em tempo algum, vocês terão experiências como as que têm e tiveram ai.
E ao fim da jornada de vocês, como na minha, sobrará a saudades, as fotos, os conselhos recebidos e dados, os trabalhos de literatura. Sobrará a recordação gravada na mente e no coração, que o tempo jamais estragará ou apagará de vocês, de nós.
Resta o amor e a gratidão eterna à todos e para todos. Desde os gêmeos hiperativos da cantina, passando pela mãezona da secretaria, pelo despojado dono de tudo e pelo sério e correto diretor e sua esposa, que formam o casal mais bonitinho da história. Além do corpo docente e dos amigos, da família que formamos e que escolhemos para ter.
Um amor e uma gratidão enorme e verdadeira.
Obrigada, de coração!
Eu amo vocês.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

to smithereens.

Pensamos que as coisas passaram até nos darmos conta dos cacos que rasgam nossos pés, ao longo do caminho que percorremos.
Pensamos que as dores diminuirão, até termos certeza de que os cortes não se cicatrizam e infeccionam, devido ao contato com o chão sujo dos caminhos que percorremos.
Aí nos conformamos com um mundo cinza e sem graça, até que o colorido sorri e achamos que ele gosta de nós. Mas o colorido se vai com a mesma rapidez com que captamos seu sorriso e acabamos sozinhos, doloridos e cada vez mais gelados.
Construímos muros de concreto, enormes, onde nos escondemos e nos moldamos para a realidade arrasadora, até sermos puro gelo. Puro medo de viver, puro medo de ser e não precisar explicar.
Vivemos aos trancos, nos escondendo por baixo de roupas que 'dizem' o que somos e procurando refugio nos fones de ouvido que tocam o mais alto possível, músicas tristes ou histórias com finais felizes que gostaríamos que fossem nossas histórias, nossas tristezas. Transportamos todo e qualquer sentimento para o menor rumor de esperança existente em coisas irreais, porque precisamos acreditar em alguma coisa.
Ai nos afundamos.
As desculpas que pensamos em dar, cansam. As desculpas chulas que ouvimos, cansam. As péssimas desculpas que inventamos e contamos, cansam.
É um tal de transportar energia, transferir sentimentos, inventar pessoas e gostos. Um jeito todo torto de ser e fazer, uma vontade tola de esquecer, deixar passar.
As coisas infelizmente às vezes, saem do caminho certo.
Nunca confiamos nas pessoas, não acreditamos no que vemos, não nos importamos com os cacos ao chão e sempre despejamos mais sujeira.
Quanto menos pessoas temos a nossa volta, mais queremos que elas se afastem.
Nós tentamos, achamos que tentamos, que nos esforçamos, mas achar e tentar apenas, não é o suficiente para conseguir e fazer dar certo todos os sonhos e desejos que criamos e recriamos em nossas mentes.
No fundo, gostamos do nosso canto, das nossas grosserias e ficamos com todo esse 'mimimi' de querermos que as pessoas estejam sempre dispostas a estar conosco, sabendo que nós também não somos dispostos a muita coisa, quase sempre.
É um jogo limpo e perigoso, de nós com nós mesmos e quase sempre acaba mal.
Passamos a vida pisando em cacos e virando casca vazia.

domingo, 18 de setembro de 2011

planned or not.

O adeus virou constante. Não consigo me adaptar.
Falha minha. Minha única certeza planejada é a falta de planejamentos para a vida toda que se foi e que ainda será. Porque o medo de ter esperanças e me frustrar é exatamente o que me prende em uma correnteza de escuridão e incerteza, que não machuca se não for.
Se não for aquilo, se não for meu, se não for para mim, se não for como quero, se não for...
Isso pode ser mania de quem gosta de contrariar tudo o que julgam certo e necessário, ou apenas característica de uma menina mimada.
Tenho casa mas não um lar, passo por pessoas, mas nunca fico. Estou sempre passando, sempre indo ou ficando e elas indo, ou me escondendo, ou tentando viver. Muitos julgam como incerteza, mas é apenas um mecanismo de defesa de quem não quer se machucar mais. Não por não suportar mais uma queda, apenas por achar que não mereço cair novamente. Já estou acostumada com a desilusão e seu discurso sobre a vida e o futuro não vão mudar minha opinião.
É uma desilusão pessoal e intima.
São desilusões comigo mesma, com meus atos e minha forma de proteção. As pessoas cumprem direitinho com seus papéis. Algumas se esforçam para conviver com meu gelo, outras gostam sinceramente de mim, apesar das dificuldades que imponho.
Sou de partida, nunca de chegada, sou de passagem, nunca de permanência. Sou o começo ou o fim, geralmente não participo do meio.
Gostaria de ser sem pesar, sem doer. Meus impulsos julgados, resumem um animal acuado e pequeno, que só quer se proteger e não tem ideia do quê.
Imprime-se no meu falho discurso a tentativa de expressar com voz o que só sei colocar no papel. Não gosto de plateias, porque nem eu mesma sei me entender. Preciso aprender a me calar, como forma de falar.
Não me acostumo e não me conformo. Quero o que quero e agora, sem titubear. É tão complicado ter que esperar, sendo que não se acredita em um futuro, quando não se planeja um futuro e só deseja que o agora seja.
Todas as velharias da gaveta hoje pesam, mas eu jamais as planejei. Todas aquelas palavras erradas e lágrimas derramadas foram momentâneas e inesperadas. Melhor assim, talvez se soubesse de suas existências jamais caminharia por caminhos correntes que me deixassem aos seus pés.
Tantos sentimentos ridículos, que só são extremamente ridículos pelo tamanho da verdade que carregam. Deve ser por isso e talvez por mais algumas outras coisas que evito deixar algo ficar.
Vivo à me machucar, bater com a cara no muro, porque sou bicho, sou fera que não mede consequências e não enxerga horizontes. Minha mente vive somente o que tenho em mãos agora e não almejo mais que isso, até ter novas coisas em mãos. Talvez seja por isso que machuco tanto. Não só a mim, mas aos outros. E eu espero que haja uma maneira de evoluir, sem precisar não sentir.
Essas regras não servem para mim, mas quem sabe um dia, eu aprenda a respeitá-las. Acho tolice desperdiçar uma vida incerta com planos incertos e sonhos vãos. Não planejo, apenas existo.

domingo, 21 de agosto de 2011

erroneamente.

Não é depressão, é choque de realidade.
Todos os dias ela acorda e faz sempre as mesmas coisas. Não que essas coisas sejam importantes.
São preocupações desnecessárias, sorrisos sem vontade e pensamentos sempre nas mesmas coisas e pessoas.
Nada relevante, nada que a levasse a algum lugar.
Todos os dias ela continuava sua vidinha mais ou menos, ignorando tudo ao seu redor, todos os sinais, simplesmente por ser teimosa demais e ter um nível de egoísmo muito alto.
Sempre ela, as vontades dela, os desejos dela, a vida dela, a tristeza dela, a paranóia dela...
O que ela mal percebe é que o tempo passa.
Ninguém é para sempre apenas uma coisa, as coisas vão mudando, o tempo vai passando e ela está envelhecendo cada vez mais rápido. São praticamente dez anos em duas horas.
O mundo pesa, pequena.
Ai ela olha para os lados e percebe que está fazendo tudo errado. Correndo atrás de pessoas que só pisam e machucam ela. Cercada por pessoas erradas, pensamentos errados e objetivos frustrantes.
Ela precisa parar de sonhar com o que não é o bastante para ela. Precisa aprender que não é porque ela acha que tem que ter, que ela não pode continuar vivendo sem.
E os dias passaram, os anos passaram e ela focada em coisas desnecessárias, coisas fúteis e pessoas péssimas, nem todas, claro, mas a grande maioria.
As coisas as quais ela deveria ter dado atenção foram ficando em segundo plano e ela não percebeu a tempo, que o tempo passa para essas coisas também.
Agora, talvez, já seja tarde demais para ela querer ter coisas que possam já não lhe caber mais.
Mas se ela não tivesse sido tão cega...Tão egoísta e arrogante...
Uma hora as pessoas importantes e os objetivos que deveriam ser prioridade, não lhe caberão mais, também. Assim como ela já não cabe mais nesses objetivos frustrados e nas vidas dessas pessoas vazias.
Uma hora ela se verá velha, pequena, frágil, como vê sua avó, hoje, e pensará em todo o tempo que perdeu, que erroneamente desperdiçou com pequenos fragmentos de adrenalina. Ao invés de estar dedicando a vida à quem dava a vida por ela.
O mundo pesa, pequena.
Tua coluna já está fraca e você não consegue movimentar as pernas com tanta agilidade como antes.
Ela precisa aprender a deixar de ser teimosa, para ver se muda o foco e o mundo fica mais leve.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

das coragens.

Das coragens que não tenho, você é a que me dói mais.
Vagas impressões, supostas palavras, futuros acontecimentos.
De todos os pontos de vista, o mais bem visto com todos os olhos, são aqueles que os caminhos apontam há você.
Olhos cansados, que não querem mais ver ou delirar. Mente pesada que só precisa repousar.
Das coragens que tenho, você é a que mais dura.
São tempos difíceis em águas congelantes. São horas que se arrastam e palavras que ficam para serem ditas mais tarde, simplesmente porque os lábios se contorcem em mágoas.
Lábios que sorriem felizes ao te olhar, lábios que repousam calmos ao te beijar.
E das coragens que gostaria de ter, você é a que mais me escapa aos vãos dos dedos.
Dedos que se enroscam em teus cabelos e lhe fazem dormir como o anjo que és em um colo quente, que se torna mais quente por tanta ternura há você.
Das coragens que tive, você é a que mais me marcou.
Marcas doloridas de uma vida sem roteiros nem rodeios, só amor e paixão.
Paixão fulminante que matou um coração.
Amor tranquilo, que lucidou a alma.
Das coragens que terei, você é a que espero com ansiedade.
Ansiedade de chegada, de permanência e de que nunca haja partida. Ânsia de continuidade, porque o meio é indispensável.
Das coragens... você...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

não lhe diz respeito, mas pode lhe interessar.

O que eu sou não lhe diz respeito. Não nasci nem para pai, só para mãe e não morro por quase ninguém.
Sou tão ridiculamente fácil de se decifrar e as pessoas ainda insistem em me perguntar se a música está boa, se frequento sempre certos lugares ou se preciso de mais uma bebida.
Eu sou uma contradição ambulante quando se diz respeito a gosto. Posso amar e desamar com a mesma rapidez com que pisco, quando o assunto são lugares, bebidas e músicas. Quem sabe a temperatura...
Procure pelas entrelinhas, busque reparar no meu sorriso, no movimento dos meus olhos ou se estou contorcendo os dedos das mãos de maneira tão bruta, que quase posso arranca-los.
Tente reparar quantas vezes seco minhas mãos na calça jeans ou se estou escondendo-as entre as pernas, pelo tanto que elas estão tremendo. Perceba meus lábios tremerem e eu falar sobre qualquer assunto, sem pausa para respirar e... continuar falando continuar falando continuar falando... Só para tentar disfarçar minha ansiedade.
Olhe bem, não sou difícil de decifrar.
Exponho-me tanto e ainda querem que eu responda fórmulas e cartilhas de 'como ser ou fazer'. Apenas observe, é fácil.
O que sou não lhe diz respeito, mas pode lhe interessar. Mas cuidado, posso doer um pouco.
Tenho fobia de lugares fechados, não gosto de amar de mentirinha, fico pesada quando me sinto tristinha. Faça, não faça, olhe, não olhe... Darei todos os sinais, é só saber entender, não preciso de muito.
A maioria das pessoas sentem necessidade de perguntar porque gostam do relance. Olham correndo, resolvem com pressa, e eu não sou só mais o meio do caminho, mais um milímetro sem importância onde se está passando.
Tenha calma, não conclua. O que sou não lhe diz respeito e de uma hora para outra mudo.
Posso ser como o oceano, meu humor depende apenas de mim e não aviso quando ele irá mudar.
Às vezes acordo com necessidade de não: não olhar, não falar, não fazer. Mas não é difícil de saber...
Apenas observe.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

moradores invisíveis.

Pensam estar sozinhos todos os dias.
Nas ruas passam com pressa, não olham para os lados, só os desesperadamente apaixonados é que procuram algo para admirar em meio a muitos com pressa.
Só os verdadeiramente apaixonados é que olham nos olhos ou nas faces dos outros, pois juram estar vendo sempre a mesma pessoa.
Ninguém é de verdade, são todos metade, talvez nem isso. Menos da metade, quase nada.
E aí quando estão em casa, pensam realmente estar verdadeiramente sozinhos, mas na realidade, a pior companhia os persegue constantemente.
O cérebro sabota, nos odeia.
Todos meras metades e não se completam, porque a maioria é meio.
Meio da vida, meio do caminho, meio amor, meio mal amado...
Vivem cercados de mais e menos, de tanto faz, de você quem sabe.
Vivem aprendendo a não falar de boca cheia, não fazer cara feia, sorrir.
Não têm nada e sabem disso.
Mas o cérebro sabota, eles acham que vão conseguir algo, mas o que têm a oferecer é vazio.

sábado, 30 de julho de 2011

perfection.

Não, eu não gostei de você logo de cara. Também não foi na primeira vez que nos falamos que eu senti que te desejava. Muito menos a primeira vez que você me tocou,
não foi a sensação necessária.
Ai também nada foi sempre cor de rosa claro, limpo. O céu nunca foi azulzinho
sem nuvens e violinos nunca foram nossos instrumentos favoritos
para embalar os momentos.
Sempre fomos cinza, branco com listras pretas, ou
simplesmente pretos por completo. Sempre fomos barulho, um barulho incontrolável, muitas vezes ensurdecedor e indistinguível.
Era o barulho que acalmava o tormento e logo em seguida causava mais tormento ainda.
Nunca fomos amorzinhos, abraços e segredos. Sempre fomos apuros,
correrias e decepções.
Fomos muito companheirismo, ajudas e mentiras.
Mas sabe, eu jamais trocaria toda a nossa confusão por um lugar tranquilo.
Eu gosto do barulho e do nosso céu de inverno. Eu prefiro nossos toques de hoje, mudos, surdos e congelantes.
Gosto de dormir de mãos dadas e não de conchinha, contigo.
Eu não vou mentir que quero mais. Eu quero mais sim,
mas quero mais disso, nunca do que não tivemos e sempre tentamos ter. Eu quero mais de mim, mais de você e mais do que podemos ser.
Cada pedaço do meu corpo implora pelos dias de chuva ao teu lado e pelas estrelas que raramente víamos juntos. Meu corpo te pede fotos da lua e mais tapas na bunda,
como aquele primeiro que lhe dei, sem nem nos conhecermos, na escada.
Meu coração vibra ao som da tua voz e gargalha a cada risada tua.
E metade de mim é você e eu só lamento por metade de você não ser eu.
Não é por nada, não, mas nem tudo o que é certo é perfeição. Eu adoro o nosso erro.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

sweet...?

Me decepciono constantemente com as pessoas. Todas elas, sem exceções.
Sei que a culpa de todas essas decepções são minhas, já que espero muito até de quem não tem nada a oferecer. Mesmo sabendo que esse alguém não tem nada a me oferecer.
Às vezes eu tenho a certeza de que está tudo errado. Antigas amizades, antigos amores, antigas decepções... Não era para eu estar aqui, mas não vejo o caminho de volta.
As pessoas machucam.
Espero todas as noites por um sentimento de alívio, de poder colocar minha cabeça no travesseiro com a certeza de que vou acordar e as coisas vão estar como eram, cada uma em seu devido lugar.
Nunca fiz questão de que gostassem de mim, mas isso não significa que não quero que gostem. Só não me peça para ser uma coisa que eu não consigo ser, uma coisa que eu não sou.
Sei que sem essa mudança necessária, minha vida será uma coleção de mágoas e decepções. Quebrar a cara. Mas não sei ser melhor e nem pior.
Só aprendi a ser eu mesma e sinceramente, não faço esforço nenhum para sair do lugar onde me encontro. Até porque, não encontro o caminho de volta... Vou continuar parada.
E por fim eu desculpo tudo. Sempre foi assim. As pessoas pisam, as pessoas magoam e dão raiva, logo em seguida se 'arrependem' e vêm com mil desculpas e um sorriso. Tudo bem, já passou... Dê sua mão para mim e vamos em frente.
Ali na frente eu caiu de novo, sozinha, sem tua mão para me segurar. Eu sei que é assim e que sempre será. Mas eu não consigo parar...
Não gosto de acreditar na maldade que existe, prefiro me fazer de alienada a essa realidade tão triste.
Mas dói... Não é porque eu estou sorrindo que não sinto dor.
O mundo me mostrou desde pequena que por mais dor que se possa estar sentindo, é essencial um sorriso no rosto para não fazer triste aqueles que nos querem bem e muito menos fazer feliz, aqueles que só querem nossas lágrimas.
Não sou santa, também. Tenho muita maldade em meu coração, mas ninguém para pra conhecer, ninguém quer respeitar.
E eu só posso continuar aqui, até que a porta se abra, o caminho se ilumine e eu ache o meu lugar de volta. Esperando por um dia em que eu possa pousar lentamente minha cabeça no travesseiro, com a certeza de que no dia seguinte, acordarei em paz.

domingo, 17 de julho de 2011

São Paulo 10°, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos.

A maioria das canções falam de uma casinha no campo, um céu limpo e azul... Pássaros cantando.
Vida calma, sossego, vizinhos que se conhecem e se cumprimentam ao se ver na rua...
Mas não, meu amor vai além disso. Sempre foi muito real essa minha paixão.
Quando pequena passei a maior parte dos meus dias aqui. Quando cresci, a frequência diminuiu devido a empessílios de quem cresce, mas minha paixão era cada vez maior.
Eu gosto do céu cinza, do chuvisco rotineiro, desse friozinho que mesmo fazendo sol, temos que usar uma blusa de frio levinha. Gosto do som dos carros, o barulho dos helicópteros sobrevoando a minha casa e das luzes que nunca são apagadas.
Me perco em delírios e pensamentos olhando para os prédios sem fim, amo as calçadas que nunca acabam e as avenidas que são entupidas de carros e pessoas.
Aqui ninguém se conhece, ninguém te aponta, ninguém sabe quem você é. Tenho a comodidade de sair de casa de pijama sem que ninguém se importe ou comente seguidamente ao acontecimento.
Se eu quiser sair segunda, terça, quarta, quinta e passar o final de semana em casa, eu posso. Se quiser ficar a semana e o final de semana para a rua, também posso. Falta do que fazer aqui não é problema e por mais que o acesso aos lugares seja bem difícil, eu não me incomodo de perder algumas horas para chegar em lugares que me deixam fascinada.
E as pessoas que por essas ruas circula? Cada qual com a tua personalidade, cada qual com um rosto, um gosto e um pensamento. O tempo corre e elas também. Desde as deslumbrantemente bem vestidas, até as exóticamente chocantes.
É o bom e o ruim, o rico e o pobre, os problemas e as soluções correndo lado a lado em uma mesma rua.
É o choque, a cultura, a correria do dia-a-dia. Abro os olhos na primavera, almoço no verão, passo a tarde no outono e durmo no inverno.
Qualquer oportunidade maior que tenho, corro para suprir meu vício dessa paixão tão unicamente minha. Como se eu morresse um pouquinho a cada dia longe dessa cidade tão deslumbrante.
Sempre gostei da correria, da pressa, das pessoas que não se conhecem e são tão distintas. Sempre amei os prédios altos, acabados e inacabados. Como meu priminho fala: 'mais um prédio, Lilinha?' Mais um, lindinho, mais um. Ainda bem, mais um...
Temos os parques sem fim, também. Lindos, sempre verdes e floridos. Lotados, crianças correndo e brincando, outras tantas pessoas dando uma corrida em seu intervalo de trabalho. Piqueniques embaixo das árvores...
E o amor por nossos times! Brigamos mesmo, somos fascinados. O canto dos estádios, os uniformes, a torcida e os gritos. Nossos times tão nossos, que nos deixam cegos de amor e sede de vitória.
Só eu sei quão completa sou aqui, quão inteiramente feliz eu sou quando estou vivendo aqui.
Meu corpo, meu coração e minha alma são e sempre foram inteiramente paulistanos.

sábado, 9 de julho de 2011

amor coceguinhas.

Eram feito imãs

.

Às vezes se atraiam, outras tantas se repeliam. Mas eram imãs

um do outro.

Aqueles cabelos castanhos, aqueles olhos que nem mesmo ela, que os conhecia tão bem, sabia explicar como eram esses olhos. Não eram como os de Capitu, que eram olhos de ressaca, estavam mais para os olhos futuristas de Clarice Lispector

, mas a cor... Ela não sabia explicar, por mais que tentasse.

E tentava. Pelo menos havia tentado um dia. Hoje já não mais, apenas admirava e se deslumbrava com olhos tão...

Mas voltando aos cabelos castanhos, tão dela, bons para agarrar mas nem sempre suficientes para isso. Eles poderiam estar arrumadinhos como sempre ou uma bagunça

completa... Estavam sempre lindos e não há quem a faça desistir dessa ideia.

Tinha também uma coisinha no canto da boca... Um sorriso contido, tímido. Um sorriso que quando se revelava dava gosto de sorrir junto. Dizem que os olhos são o espelho da alma, mas aquele conjunto de sorriso e olhos eram mais que isso. Os olhos sorriam, mas não como aquele meio tímido que aparecia ao canto da boca.

E ela se deixava invadir por um torpor único e só dela. Ela sabia que mais ninguém sentiria aquilo por pessoa alguma, a não ser por ele. E ela sabia que outras pessoas sentiriam sim, essa mesma coisa que ela sentia ao vê-lo e sentia uma pontada no peito, pois ele nunca seria exclusivamente dela.

Um erro...

Um grande erro vindo de uma caixa de muitos outros erros existentes, mas que ela não se cansava de comete-los e nem se arrependia de te-los cometido.

Aquele cheiro vindo da roupa dele era tão...Tranquilizador, sim, é essa a palavra que vem a sua mente quando tenta descreve-lo. Um cheiro que acalma, daqueles cheiros que tem em cama de mãe, sabem? Aquele cheiro que nos dá tanta proteção

, tanta segurança e tranquilidade que nos faz dormir em segundos, um sono confortável, um sono único...

Se ela pudesse passaria a noite olhando para aqueles olhos indescritíveis, mexendo naqueles cabelos tão perfeitos e milimetricamente

bem cuidados. Provocando aquele risinho tímido de cantinho de boca e sentindo aquele cheiro envolta a mil braços e abraços e cobertores...

Mas eram como imãs

. Ou muito se atraiam ou muito se repeliam.

Uma pena, grandessíssima

pena. Para ambos, que poderiam ser tão eles, mas que foram apenas dois.

Dois ótimos

, dois perfeitos, mas dois.

Antes ela não conseguia terminar tais descrições ou tentativas sem olhos marejados, sem mãos tremulas e frases clichês. Hoje ela sorri ao se lembrar, ao se esforçar a contar e arrumar adjetivos

para tais coisas que a atraem tanto.

Amor não morre e não se repele. Apenas corpos se afastam.

Mas as mãos... As mãos que sempre são necessárias estão sempre dispostas a agarrar qualquer chance de fazer valer. Aquelas mãos sempre esticadas ou entrelaçadas deles, era como um: 'eu estou aqui para sempre.', um acordo mútuo e mudo entre eles.

Isso ninguém poderia lhes tirar. O silêncio do acordo cego existente. Não importa se tentem, esse é só deles.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

poems, flowers and chocolate liquor. but why not sonnets?

Por que não poemas?
Talvez poemas, flores e bombons de licor.
Não, não. Não gosto de bombons de licor.
É disso que estou falando, sabe? Poder escolher.
O incomodo parece que nunca vai passar mas chega uma hora que as pessoas precisam se acostumar.
Rimei passar com acostumar. Será que na vida dá certo, também?
Passar ou acostumar? Qual será mais fácil e reconfortante?
Por que a vida insiste em forçar tudo ao redor, sendo que ficaria mais fácil se fosse livre?
Liberdade não rima com vazio, mas se realmente prestarmos atenção, caminham lado a lado. O vazio da medo, já reparou? Por ser uma experiência tão relativa...
Uma vaga vazia no centro da cidade quando se está atrasado e precisando muito estacionar, é uma coisa ótima.
Uma geladeira vazia quando se tem fome é uma coisa desesperadora.
É disso que estou falando. Tem-se a liberdade de escolha, mas junto com ela está o vazio.
Nem sempre a vida da escolhas. Muitas vezes ela só impõe e pronto. Você que se vire.
Mas porquê não flores, né?!
Pena que elas murcham e morrem e não duram muito.
Flores duram o tempo exato para uma declaração ou um pedido de desculpas. Duram o tempo exato de duração de uma declaração ou pedido de desculpas. A tempo delas murcharem e morrerem, muita coisa passou e novas declarações e desculpas já devem ser merecidas novamente.
Poemas são eternos. Bombons não, são comestíveis.
Poemas também, comestíveis. Como-os com os olhos, com o cérebro, com o coração e deliciamos a alma.
Poemas fazem bem aos ouvidos e nem precisam ser de amores correspondidos. Podem ser de desilusões tristes e cortantes. Eles alimentam o que há de puro.
Mas por que não sonetos?

domingo, 12 de junho de 2011

mais alguns passos.

Me sinto um pouco Summer Roberts nesse momento. Preciso dar passinhos de bebê, enquanto aprendo a não uivar para a lua.
Não foi tempo perdido, pelo contrário, foi o maior tempo ganho da minha vida, aprendi muita coisa com os lobos.
Sempre tive consciência de onde estava me enfiando e mesmo assim quis continuar, mas chega uma hora na vida, que poder respirar e ser você mesma sem cobranças e sem medo se irá chatear a outra pessoa, é mais importante do que o orgulho de não admitir que aquele caminho não estava dando certo.
A grande realidade é que nunca quis deixar ir embora uma coisa que me fez bem. Tinha medo, como toda pessoa de carne e osso, de nunca mais sentir aquilo e realmente nunca mais sentirei, a não ser em minhas lembranças. Mas não sentirei porque não tem como, foram momentos e sentimentos únicos que eu nem quero tê-los novamente, sem ser naquele tempo e espaço e com aquela pessoa.
Não estou repassando nada, também. O que eu senti não foi transferido, continua aqui comigo, mas com uma cabeça menos medrosa.
Claro que não será do dia para a noite que tudo ficara menos dolorido, como não foi do dia para a noite que as coisas se tornaram mais claras e maduras para mim. Mas foi preciso. Eu precisei me deixar ir, para poder me ter de volta, só para mim, sem neuras e medos e receios.
A melhor coisa é poder me olhar no espelho e não pensar que não posso fazer isso ou aquilo, porque podem não gostar e isso irá gerar um conflito não desejado. É tudo tranquilo agora, como era no começo, mas que aos poucos foi se tornando em algo massacrante e meio triste.
Esse é o ponto certo para poder voltar para mim e ter tudo o que sempre tive, inclusive esses sentimentos que me fazem tão bem, mas de uma maneira realmente saudável.
Por enquanto, estou me deixando ir, de vagar, com passinhos de bebê e me escorando pelas paredes... Espero conseguir ir de bicicleta daqui a algum tempo, de carro depois, correndo um dia, quem sabe?
Mas agora, só poder pensar e não chorar e não ficar pensando mil maneiras de sentir coisas que não me cabem mais, já é algo que me deixa leve. E ver as pessoas que gostam de mim, felizes, por poderem me ver dando esses passos, é mais leve ainda.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Nazaré Tedesco que se esconda.

Na verdade, na verdade, eu nunca esperei mais do que educação.
Talvez um pouquinho de consideração por tudo o que se foi vivido e presenciado.
Não mais que isso, não menos que isso. A medida certa.
Sempre soube que quando se dá muito pouco se recebe e quando se fala o que quer, corre-se o risco de ser mal interpretado e passar por coisas que não quer.
Mas fazer o quê? Eu escolhi viver como eu sou e não como querem que eu seja.
Não preciso de reuniões e nem de opiniões para saber o que sou, o que quero e o que gosto. Nunca precisei de ninguém concordando comigo, para eu declarar abertamente se gosto ou não de algo.
Questão de personalidade, sabe?
As pessoas são tão hipócritas. Todas elas e em partes me incluo a esse grupo.
Mas de uma coisa eu sei, sempre valorizei e considerei neguinho que correu ao meu lado no fácil e no difícil, no bonito e no feio, na hora de rir e na hora de reclamar.
Só que ai, a gente sempre acha que pode confiar, pode falar, pode fazer e acontecer que vão entender, vão compreender e não julgar. E é só olhar para o lado que toma aquele susto. Ninguém aceita se não for padrão.
Odeio padrões.
Ai neguinho faz cagada e pá, ao invés de assumir, 'errei mesmo, desculpa ou foda-se', não, vem com desculpinha e com virada de jogo. Não é assim que as coisas andam para o meu lado.
Já fui otária demais, hoje, não tão mais.
Claro, existem poucos e bons que sempre serão perdoados, mas não abusa, você não sabe se faz parte desse clube.
Acho incrível a ideia que fazem de sinceridade e opinião. É que nem comer, neginho ama comer, mas não gosta de ser comido, rs.
E pelo que andam falando, Branca Letícia que se cuide, eu vou desbancar até Nazaré Tedesco.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Da série coisas que eu não entendo:

Pessoas efusivas feat. Pessoas felizes demais.

Sério, como viver ou conviver com isso? Esse tipo de gente é um combo felicidade + indiscrição + euforismo + inconveniencia e pra completar, vem de brinde um pacote de positive vibrations, rs.
Não entendo como conseguem. Na minha opinião, você só pode ser feliz o tempo todo se for a Kate Meddleton, e olhe lá, ainda. Ou sei lá, a Angelina Jolie.
Porque pra mim, o combo felicidade é: beleza + bom carater + dinheiro e um homem bonito ao lado. Caso você não tenha isso, me desculpe, mas você não é feliz. Não é e não insista.
O que você acha que é felicidade na verdade é o teu cérebro te sabotando, porque ele te odeia. É a única explicação plausível que eu encontro para pessoas assim, o cérebro sabotando-a. Porque não é possível, ela realmente achar que trabalhar todos os dias, acordar cedo, ter que conviver com cobranças, pagar contas e etc, etc, etc, seja motivos para sorrir.
Ai nesse ponto entre o 'positive vibrations', onde a pessoa virá com o seguinte argumento: 'mas eu tenho vida, saúde, uma família linda...' Amiga, meu pesamos, você não é feliz.
Isso só te torna uma pessoa completamente irritante, que quer porque quer ser uma coisa que não é e continua sendo comum, porque todos nós estamos vivos e temos uma família.
Aliás, se família fosse sinônimo de felicidade...
Agora, uma coisa é sorrir 24 horas por dia até ter cãibras nas bochechas e amar tudo e todos ao redor, outra coisa é GRITAR para o mundo isso. Sabe, bem aquele tipinho que quer que você também seja assim. Ai, não sou obrigada, né?!
Tenho trabalho da faculdade, faxina na casa e falta dinheiro, não vou sorrir pra você.
Mas não satisfeita, essa pessoa é feliz em locais fechados, também. Ouve música e canta junto (isso quando não dança também e ai me vem um combo de vergonha alheia + vontade de matar a pessoa ou me matar), fala alto, MUITO alto, mas MUITO alto mesmo, que é pra todo mundo saber como ela é feliz e engraçada e encara a vida de uma maneira super positiva e ama os animais e protege a natureza e economiza água e............ zzzzzzZZzzzzzZZZZZzzzz
Pouco me importo, mas né?! Cada um no seu quadrado.
Sonho com dias em que inventem cabines privativas, onde ao acordar, entramos cada um na sua e vivemos felizes e isolados, só mantendo contato com quem realmente queremos ou necessitamos muito.

Ai que resmungona, credo, rs.

sábado, 21 de maio de 2011

run with it.

Muitas vezes a vida passa correndo por nós. Quantas vezes não ficamos perdidos no tempo e achando que tudo aconteceu rápido demais e quantas vezes nos arrependemos de não ter dado aquela última olhada ou dito qualquer besteira sem sentido, só para não desperdiçar o momento com silêncio...
Passamos a vida toda sempre olhando e nos preocupando com coisas e lugares errados. Ou olhamos demais para o chão, ou forçamos demais a visão para olharmos para a frente. Ao invés disso, poderíamos olhar para os lados... Ou um pouco para cima, sabe?
Será que chove hoje? Em qual lua estamos?
Vivemos preocupados com o futuro; O que faremos, falaremos, pensaremos, seremos... Remoendo culpas, pensamentos e acontecimentos passados que fazemos questão de esconder. Já foi, se livre...
Desperdiçamos sorrisos, desperdiçamos lágrimas, desperdiçamos esperanças. Deixamos sobrar vazios demais.
E a vida é isso tudo que acontece ao nosso lado. É o cachorro do vizinho latindo até irritar, a empregada lavando a roupa, o avô roncando no sofá e o telefone tocando. É aquele friozinho das cinco da manhã e as borboletas no estômago a tarde...
Ela passa correndo, voando. Mas não adianta forçar a vista, ela não está tão longe assim, não tão há sua frente dessa maneira. E olhar para trás também não vai resolver, por motivos claros. Ela ainda não passou, então não pode estar atrás. Também não cometa o erro de olhar para o chão. Se ela estivesse ali, já teríamos tropeçado nela.
Quem corre somos nós, sempre errados e tão certos.
Apenas olhe para o lado, diga qualquer bobagem, aprecie a paisagem e continue correndo. A vida é complicada demais para andar devagar.

terça-feira, 10 de maio de 2011

efeito sanfona.

Ai que fica naquela: tô na merda, tô bem, tô na merda, tô bem, tô na...
Enfim, minha vida a lá Everybody hates Maríllia, rs.
Dá três e meia da madrugada e eu aqui, rolando na cama e pensando: 'porque mesmo que neguinha não morreu entalada com a nata do leite de manhã, mesmo?' Ah, claro, porque ela não morre até matar todos de tédio ou vergonha alheia.
Triste isso, vida vazia. Até me sensibilizo por alguns segundos e.... EPA, segura essa vaca que vou socar a cara dela, manda ela sair do meu caminho!
Lá tô eu na merda de novo por causa da neguinha que esqueceu de enfiar uma peça de mortadela no cu e veio se meter na minha vida. Porquê, né?! Estava com tempo vago e talz...
Vontade de dar uma surra com gato morto em gente assim.
'Mas a culpa é sua que confiou de novo.' Quer saber? Vão tudo toma nos seus cu!
Já diziam os sábios, nego que nasce bunda, morre bunda.
Vou ali, tentar enfiar o cotonete em um ouvido e tirar pelo outro.

domingo, 1 de maio de 2011

I did not regretted. I only regret.

Minha vida jamais foi um livro aberto, ou uma janela transparente. Também pudera, com tantos erros e coisas das quais não me orgulho... Mas a questão não é essa.
O problema é que nunca confiei muito nas pessoas. Vivo naquela de testes, tentando ver qual sobrevive.
Foram tantas as chances que perdi de ter bons amigos, mas não me arrependo, pois os bons distantes amigos que tenho hoje, me são suficientes.
De qualquer forma já errei muito. Mais do que o normal.
Não me arrependo, sempre fui assim. Se fiz foi porque tive vontade de fazer, se não fiz foi porque não quis fazer. E assim sempre fui seguindo.
Houve um momento na minha vida em que eu parei de culpar as pessoas a minha volta e os acontecimentos anteriores, por ser o que eu sou e fazer o que eu sempre fiz. Certo ou errado.
Ai, logo depois desse pequeno momento, me senti menos covarde. Mas entrei em outra questão.
Você já teve algo ou alguém que julgasse a melhor coisa do mundo, mesmo sabendo cada milímetro dos muitos defeitos imperdoáveis dele?
Pois bem, conheço como a palma da minha mão. Ou pelo menos conhecia, uma pessoa.
Eram os defeitos dela que me atraiam, que me chamavam a atenção e que eu amava tanto.
E por esses defeitos, comecei a sentir algo que nunca havia sentido antes: arrependimento.
Me arrependo das inúmeras vezes que errei com essa pessoa e também das inúmeras vezes que ao invés de me calar, machuquei ou tentei machucar essa pessoa com minhas palavras. Eu conhecia bem os defeitos dela, sabia bem quais palavras ela usaria comigo e mesmo assim, queria feri-la tanto quanto me sentia feria. Não, não só assim, mais.
Ai me arrependi de antes. Por que eu agia como uma idiota arrogante, antes? Por que simplesmente agi daquela maneira com ela, sem ela merecer isso? Se eu não fosse tão estúpida, será que as coisas teriam sido diferentes?
Me arrependo.
Me arrependo da atenção que não dei a ela, quando ela queria. Do excesso de atenção que há dei, quando ela precisava apenas de espaço. Me arrependo de ter provocado, do tanto que chorei em cima dela e me arrependo por não ter falado o quanto ela era importante para mim, quando eu sabia que também era importante para ela.
Apenas uma pessoa fez com que eu me sentisse assim.
Nem família, nem melhores amigas e muito menos minha mãe, fez com que eu me arrependesse de algo que eu tenha feito ou falado. Mas entenda, não me arrepender não significa que eu me orgulhe de ter feito tantas coisas.
Aliás, acho que não me orgulho de muita coisa que já fiz.
E hoje essa pessoa continua fazendo com que eu me arrependa. Eu acordo todos os dias arrependida por não poder sentir o cheiro dela no meu corpo, não sentir o toque de seus dedos no meu cabelo.
Me arrependo de não poder olhar mais para aqueles olhos lindos todos os dias e ficar pensando com a maior intensidade enquanto a abraço: ''eu amo você, você é tudo o que eu tenho na vida. Você pode me amar e me segurar aqui, para sempre?''
Me arrependo de nunca ter tido coragem de dizer essas palavras alto.
Eu sei, fui eu quem errou. Eu esgotei, desgastei com essa minha mania besta de agarrar o que não devo e simplesmente soltar as coisas que importam.
Sempre fui tola, mas não era para menos. Nunca tive muitas coisas das quais eu tinha vontade de me agarrar. Vivi afundando e quando encontrei um sinal de vida dentro de mim, era tarde demais. Meus erros já tinham destruído tudo o que poderia ser e não foi.
Me arrependo de querer correr e nunca conseguir fazer isso.



I will have to learn.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

daqui a pouco cresço, passa...

E passa sabe? A gente vai crescendo e as coisas vão passando...
Eu gostava tanto de uma calça listrada de cor de rosa e roxo, que eu tinha. Ai cresci.
Gostava tanto de gelatina e passou...
Tinha uma coleção de Barbies e Pollyes e cresci.
Adorava passar batom e passou.
Só dormia dentro do carro, depois de várias voltas pela cidade e cresci.
Nunca quis me casar e passou.
Não gostava de cerveja e cresci...
A vida brinca, a todo momento ela brinca com a gente.
Em pequenos detalhes que ao fim, fazem toda a diferença e já não são mais detalhes, já são uma vida inteira e não temos mais como voltar atrás e normalmente nem queremos.
Não trocaria meus amigos de hoje pela minha coleção de Barbies, nem minhas noites de filme com cerveja, pelos meus antigos porres de vodka.
Acho que também não usaria mais minha calça listrada. Até porque, não gosto mais de rosa...
Mas de qualquer modo, foram coisas que eu necessitei ter na minha vida para aprender a ser e ter o que sou e tenho hoje em dia. Não que seja muita coisa, mas são coisas que eu não abro mão.
Ai daqui uns anos eu cresço e passa.
E logo depois eu estarei satisfeita com minhas novas escolhas.
Nem sempre é fácil. Satisfeito nem sempre significa orgulhoso, mas não podemos ter tudo na vida. Então, me contento.
Aprendi a viver com um amor que não precisa de troca, apenas precisa existir. Eu gosto/amo, então pra mim é suficiente.
Estou satisfeita por agora.
Daqui a pouco eu cresço, passa...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

there is no purity .

Olá, por que continuas aqui?
Olá, por que continuamos com isso?

Se soubesse pelos caminhos que me meti...
Se soubesse as coisas que ando feito para manter meus pensamentos fora de foco.

Quando realmente me deparo com o monstro que me tornei...
Por que você se importaria?
Será que realmente se preocuparia?
Me daria a mão, tentaria me tirar daqui, ou apenas desistiria?

Desistir é tão mais simples, quando simplesmente não há mais pureza.
Apenas o desespero aqui.

Se soubesse as coisas que ando feito...
Por que continuar me mantendo firme?
Não tem mais jeito.

E se você visse realmente o que me tornei, o que sempre fui e escondi.
O que você faria?
Você correria de mim?
Você se envergonharia?

Isso não é mais sobre você.
Agora é apenas sobre mim.

O que poderá acontecer?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lucidez.

Me senti um pouco perdida.
Mais do que já sou e menos do que pensei que me sentiria.
Muito que bem, ao meio de longas conversas ás vezes eu a ouvia gritar aquele nome que me causa frio na barriga e expectativas, mas eu sabia que não era a mesma pessoa, apenas o mesmo nome. Histórias muito parecidas, também, mas não as mesmas pessoas.
Foi quando ela desabou a chorar no meu colo. Eu mal a conhecia, mas sentia a tua dor tão profundamente que quase achei que era minha.
Lembrei da minha primeira aula de psicologia, quando meu professor disse que enquanto não aprendermos a sentir e entender a dor dos outros, jamais poderemos continuar nessa profissão. Pois bem, eu senti, eu entendi claramente aquela dor.
E ela continuou a chorar e a falar coisas que eu também entendia, que eu também tinha vontade de falar, mas que nunca as falei. Então, me limitei a abraça-la e a repetir para ela o que eu gostaria que falassem para mim.
'A culpa não é tua, a vida é tão confusa e nós não somos obrigadas a saber sempre como agir ou a sempre aceitar as coisas como são, as pessoas como são. Paciência é raro, mas só cabe a nós melhorar ou estagnar as coisas.'
Mas eu sabia que não adiantaria e ela continuou chorando. Me coloquei calada ao seu lado. O silêncio que não mata, conforta.
Era uma saudade, eu também sentia aquela saudade que ela descrevia tão bem e que veio do nada, sem sequer avisar antes. Sem nem mesmo se preocupar em dar um motivo.
As lágrimas cessaram e com o fim delas, o fim do sentimento. Foi como um choque de realidade que se transformou rapidamente em passado e nos fez lúcidas mais uma vez para não terminarmos a noite daquela forma.
Com um abraço selamos o fim daquela saudades, daquela dor profunda. Pelo menos por aqueles instantes.

sábado, 9 de abril de 2011

laughter.

Engraçado como a vida ri de nós.
São momentos em que sentamos e pensamos quão irônica a vida é todos os dias, mesmo que seja em mínimos detalhes.
Creio que ela nunca havia sentido isso desde que conheceu ele. Ela sempre foi tão na dela, mas ao mesmo tempo sempre infernizou a vida de bons.
Nunca tinha achado alguém a quem ela realmente tivesse vontade de contar suas frustrações, seus medos e suas vidas passadas, que foram muitas. Cada ano uma vida diferente, nem sempre melhor, nem sempre mais certa que a passada, mas sempre diferente.
Bons anos foram passados assim. Não bons nos sentido literal, mas no sentido de que passaram.
Eram brigas aqui, escolhas erradas dali... Um garoto estúpido, uma amizade errada, um pensamento torto.
Passaram.
Sempre jogando. Fosse o que fosse ela encarava como jogo.
Menina medrosa, arisca.
Adorava sentar nas escadas do colégio antigo e rir das pessoas. Fizeram tanto isso com ela durante boa parte da vida, que ela ao invés de impedir que outra pessoa sentisse as mesmas coisas que ela sentiu, queria mais era se vingar. Por boa parte deu certo.
Até que um dia ela se deparou com um grande problema. Riu tanto de uma pessoa que acabou apaixonada. Perdidamente apaixonada. Mas ela ainda não sabia disso e continuava rindo.
Foi questão de alguns meses. Quando se brinca demais, as coisas saem do controle, pois jogos são imprevisíveis.
Ela não se imaginava com mais ninguém a não ser com o riso de todas as manhãs. Ela se imaginava com ele a tarde e acontecia. Se imaginava com ele a noite e ele vinha. Foram dias assim.
Até que de tanto rir ele se cansou. Ele resolveu rir também e ela se machucou.
Pois é, minha cara. Ninguém nunca disse que seria fácil e você subestimou o riso. Ele virou a mesa, mostrou as cartas e você se machucou feio.
Ás vezes ela tem a impressão de que seu tombo foi tão feio que afetou seu juízo.
Ela grita, ela chora, ela voltou a fazer tudo errado. Mas não ri mais.
Ainda tira sarro, mas mais dela do que dos outros no momentos. Mas rir, nunca mais.
Em bons momentos ela pensa que vai superar. Na verdade ela tem certeza de que já superou e que nada disso passa de apenas sentimento de posse do riso que lhe foi tão brutalmente arrancado dos braços. Mas ela sabe que é mentira. Ela não superou e nunca vai superar.
Não porque seja a coisa mais importante do mundo, mas porque se foi importante por pelo menos um milésimo de segundo, jamais será esquecido ou deixado para trás.
Boas coisas quando são para ser nossas, mesmo se elas uma hora chegam a partir, sempre encontram o caminho de volta. Ela se repete isso todas as noites antes de dormir, todas as manhãs assim que acorda e todas as longas tardes quando ela teima em tentar a rir novamente sem grandes sucessos.
Esses dias andou se imaginando rindo de outras coisas. Andou pensando seriamente em um riso novinho que lhe foi apresentado. Mas não anda dando muita importância a isso no momento.
Mas por hora, ela só deseja que ela e o riso, mesmo separados, continuem sendo feitos um para o outro. Que sejam felizes por enquanto, que vivam separada, mas confortavelmente. Até o momento em que seja desejável e confortável voltar a rirem juntos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

grown-up life is not easy.

Sabe como é, eu poderia muito bem ter chorado naquele momento.
Ter simplesmente me desesperado, gritado e derramado rios de lágrimas.
Mas sabe, também, eu não queria fazer isso.
Eu queria pelo menos uma vez, ser forte, mais forte, muito mais forte do que eu posso ser e eu sei que sou. Queria mostrar que eu sou forte, que eu passaria sem chorar, que eu não estava sofrendo, mesmo estando em pedaços.
Poderia ter corrido, sair correndo, largado todo mundo para trás. Mas também não fiz isso.
Eu gosto quando as pessoas me desencorajam. Gosto de ouvir delas que eu não sou capaz, que eu nunca vou conseguir ou que nunca vai dar certo.
A frase que eu mais ouço e ouvi a vida toda é: você sonha e espera demais.
Sim, mas é claro. Queria que eu vivesse uma vida sem graça, sem expectativas e sem vontade?
Me jogo, me exponho, não me importo mesmo morrendo de tanto me importar.
Ali estava a mim, morta por dentro. Todas as possibilidades citadas anteriormente em minha cabeça. Não é fácil controlar o incontrolável.
Nunca fui boa em auto controle. Mas eu me segurei.
Sorri. Continuei sorrindo. Levantei depois de tudo acabado e voltei para a minha casa.
Não chorei quando cheguei, não vou chorar.
Vou mostrar para mim mesma que eu consigo. Não vai ser uma pequena vontade de chorar que vai me derrubar dessa vez.
Preciso aprender a viver sob pressão. É agora. Eu vou conseguir.

quinta-feira, 31 de março de 2011

is love, only love...

Eram sete da manhã e eu estava sempre de mau humor, mas ela não ligava.
Eram sete da noite e eu estava sempre de mau humor, mas ela também não ligava.
Foram dois meses, passaram- se dois anos.
Cinco, seis, sete, dez anos e ela lá. Não se importando...
Ás vezes mais importante que um grande amor, é uma grande amizade.
Não importa quantos dias e quantas horas ela me aturava de mau humor. Não era importante quantas vezes ela estava me irritando e não saia comigo porque tinha um grande amor e uma grande amizade.
Aprendi a compartilhar. Dividir não! Ela é minha!
Mas compartilho, empresto, deixo passar, finjo que não vi e passa...
É amor desde a hora que acorda com a cara toda borrada de maquiagem até a hora em que ela dá um fora por você no carinha do ônibus da faculdade.
É amor pegando o ônibus errado porque saiu mais cedo da aula e foi no supermercado comprar bebida.
Amor desde o segundo em que ela chega e te conta que estavam falando de você no banheiro e ela não achou certo.
É amor quando eu chego e digo que não gostei, amor quando eu ligo e digo que estou com saudades mesmo tendo falado com ela a poucos minutos atrás.
É amor quando eu simplesmente penso, falo, olho pra ela....
Grandes amores nem sempre são tão bonitos quanto grandes amizades.
Estão ai os contos de fadas Disney para nos mostrar isso. Nada seria a Branca de Neve sem os anões. Bela jamais teria suportado a Fera sem os objetos e móveis animados do castelo. Cinderela nunca teria ido a festa do príncipe sem a fada madrinha e Ariel não chegaria ao barco se não fosse Linguado e Sebastião ao seu lado.
Eu jamais teria chegado até aqui se não fosse ela. Só ela que consegue ser mãe, amiga e filha ao mesmo tempo. Só ela.
Tão ela...

domingo, 27 de março de 2011

e se eu estiver errada...

Eu fico realmente triste, sabe?
Não porque eu não posso suportar, mas porque eu não queria ter que suportar certas coisas.
Tenho tanta saudades de quando eu era apenas uma menina, em um apartamento, que estava sempre sozinha. Se não sempre, na maioria das vezes.
Me relacionar com as pessoas me estragou a saúde.
Com todas as pessoas, desde as da família até aquelas que um dia eu cheguei a chamar de amigas. E olha que eu sempre soube o quão errado isso era. Principalmente por ter um sexto sentido, digamos assim, muito forte. Não adianta forçar, mas eu forcei.
Detesto quando eu machuco as pessoas, mesmo que elas tenham me machucado demais, já. Acho errado, porque não gosto de fazer com os outros o que não quero para mim. Mas nem sempre é possível fazer as coisas todas da maneira certa.
Sei que tenho todos os defeitos possíveis, e os admito, mas a coisa que eu mais queria era que as pessoas não me julgassem por eles, ou que me entendessem. Ninguém erra porque quer e sim porque é leigo demais, ou então ingênuo. Eu pelo menos, nunca errei porque quis, sempre porque confiei demais ou porque desconfiei demais.
Infelizmente a gente nasce com a triste sina de amar alguém. Nascemos também com o fardo do tempo, que mesmo que passe, não apaga jamais certas coisas. E depois que passa, não temos mais como consertar.
Eu queria tanto apagar certas coisas da minha vida. Vontade de arrancar o coração, o cérebro e lavar os dois, até tudo ficar branco e limpo, novo...
Não porque eu não posso suportar, apenas porque não quero suportar.
Acho desnecessário viver sofrendo e me lamentando por certas coisas que eu sei que sempre vão ser assim. Eu tenho todas as provas de que preciso para ter essa certeza, não vai mudar. Isso me deixa furiosa.
Instinto de competição, medo de ser taxada como fraca, como covarde.
Se bem que ultimamente tenho ouvido tantas coisas que sei que não sou, que acho que não ligaria se mais essas coisas fossem listadas, agora.
Mas de qualquer forma, não quero. Não sou assim e não vou ficar me explicando.
Prometi que seria diferente mas o maldito tempo ou sei lá o que, destino, caminho de Deus, rs, fez com que eu não cumprisse essa minha promessa. Não ia deixar esse ano ser dessa maneira, ser triste, mas eu infelizmente comecei sendo feliz. Já diziam: felicidade de pobre dura pouco, rs.
E o maldito do tempo só me esmaga mais e mais.
Minha única vontade é de sumir, simplesmente desaparecer da vida de todo mundo e da minha também. Não entendam como suicídio, sou covarde demais para isso e inteligente demais, também. Mas é isso que eu tenho vontade, de começar uma vida nova. Nome novo, cidade nova.. Quem sabe um dia eu não suma daqui.
Até porque, eu odeio tanto esse lugar e essas pessoas, que nada me segura mais, a não ser a minha mãe e a minha irmã.
Esgotou, sabe? Sempre esgota e eu nunca faço nada a respeito disso, apenas sento aqui e fico reclamando, até porque tenho medo de mudanças drásticas. Não sei lidar com certos sentimentos que eu tenho e isso me dá medo. Outro sentimento que eu temo.
Mas é assim, não porque eu não posso suportar, mas porque eu não quero suportar. Mesmo sabendo que muitas vezes eu mereço isso mais que muitas outras coisas boas. Mas não quero, já aprendi.
Queria tanto poder voltar no começo do ano. Eu estava indo tão bem. Longe de tudo e perto de algum lugar bem melhor. Mas não, eu não sei viver assim.
Preciso estragar tudo para ficar me lamentando depois.

segunda-feira, 14 de março de 2011

and not take it back.

Chega um ponto, um momento em que você olha pra trás e pensa: 'o que foi feito da minha vida?' Claro, tão mais fácil pensar que as coisas mudaram e por isso está tudo péssimo. Mas na maioria das vezes, a maior verdade é que quem mudou foi você, quem estragou ou melhorou as coisas foi você.
Eu mudei tanto e estraguei tanto a minha vida, por ser ridiculamente infantil e ingenua pra certas coisas, que chego a morrer de ódio de mim mesma.
Quantas vezes eu deveria me calar e gritei, quantas vezes deveria gritar e calei... Deveria tanto, mas tanto não perdoar e perdoei e principalmente não voltar atrás e voltei.
Ai, que boa parte dos meus últimos anos eu tenho passado chorando. Chorando porque errei, chorando porque fiz e não queria fazer, chorando porque tenho que fazer.
Eu odeio ter que abrir mão das coisas, pode ser qualquer coisa, odeio sair perdendo, digamos assim.
Mas esses últimos tempos eu não me reconheço. Largo tudo, abro mão de qualquer coisa, apenas por sentir vontade. Toda aquela vontade de lutar, de aprender e de conseguir, se foram, assim, como a minha vontade de viver, de superar.
Vira e mexe eu sinto que me falta algo e quando paro pra pensar, descubro que falta sim, falta mais de mim em mim mesma, falta mais da minha risada espontânea, mais das minhas lágrimas de cansaço por coisas mundanas, mais da minha vontade de viver.
Meus amigos não me satisfazem mais, minha família se resumiu a nada - até porque melhor um nada gigante do que um grande circo de horrores, onde um está sempre competindo com o outro e todos sempre querendo deixar um mal.
Meus amores são preto e branco, minhas vontades são mornas, meus sonhos rabiscados.
Sinto como se minha vida tivesse sido erradamente editada e eu humanamente reinventada, e estragado tudo o que poderia ser bom e gratificante, e transformado em magoa.
E todos esses fatos me dão uma resposta assustadora para a minha pergunta. 'foi-se feito algo ruim, foi-se deixado para trás tudo. eu simplesmente estraguei tudo e não tenho como voltar no tempo para consertar.'

quinta-feira, 10 de março de 2011

pois é, meu bem.

Coração vazio, cabeça cheia.
Como as coisas mudam, não, meu bem?
Foram palavras, gestos...
Um mundo que tinha que ser, que foi, mas que ficou para trás.
Olhos vidrados, coração apertado, mente martelando e pernas tremendo.
São muitos efeitos colaterais ainda.
Pior que ás drogas é a droga do coração.
É sempre aquele susto, aquela insegurança.
Pra que tanta possessividade com ás águas da chuva que passou, molhou e deixou apenas o frio?
Confiança sai de cena, olha ali aquela morena.
Calma coração, não pula agora não.
-Sorria, sorria!
Gritava a razão, mas não queria, não dava não.
A chuva passou, o frio ficou, os olhos continuam vidrados...
Parece que tem gente mexendo com os caminhos, sempre um encontrando com o outro, não é, meu bem?
Não tem ninguém para fazer isso parar.
A cabeça roda, o coração chora e os olhos vidrados são apenas um quadro de toda a solidão.
Do tempo, do vento, do momento de colisão.
Admitir dói o coração, dói mais não saber dizer não.
Pois é, meu bem, as coisas nunca ficarão bem.

quinta-feira, 3 de março de 2011

but today I want...

Hoje quero uma casa e um filho. Um cachorro e um quintal.
Quero um amor, café na cama.
Quero sorrisos, carinhos, caricias de amor durante a noite.
Preciso de palavras, de ouvintes, daqueles lábios.
Hoje eu necessito daqueles olhos, do brilho das estrelas e de um sentimento bom.
Desejo crianças correndo, o frio na barriga e a certeza de um amor.
Amor mutuo, eu amo, ele ama, nos amamos.
Meus móveis, minha decoração, meu jeito estampado em cada parede.
Quero rir até a barriga doer, chorar até adormecer, gritar até enrouquecer, quebrar até não sobrar mais nada.
Preciso me sentir livre, me sentir segura.
Quero um abraço de adeus, um abraço de volta e um abraço de estou aqui e sempre estarei.
Preciso de tão pouco e quero tanto.
São as coisas que vão se tornando difíceis demais e eu que vou desejando de menos.
Pensamentos tolos, nunca me levarão para frente, eu sei.
Mas hoje eu quero um amor, um café e uma cama.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

also find it easy to speak ill of me.

Poucos me suportaram até hoje. Aliás, exalte bem, destaque a palavra poucos.
Meu maior sonho, a vida toda, foi sair dessa cidade. Aqui nunca foi o meu lugar e eu nunca suportei a hipótese de viver a vida inteira aqui. Nunca tive grandes amigos, nunca tive interesse em nada daqui. Pesadelo.
Era um amigo aqui, uma amiga ali e sempre milhões a me apontar. Nunca me incomodei, sempre incomodei aos outros... Tinha aquela vez ou outra que eu me estressava: 'Porra, da pra parar de me olhar torto? Nunca te fiz nada.' Mas depois passava... Sempre gostei de chocar, era engraçado ver as pessoas com uma imagem sobre mim, completamente diferente da realidade. Era assim que eu me protegia do mundo, ainda me protejo.
Um romance sem graça aqui, um jogo interessante ali. Sempre encarei assim: jogo.
Como meu avô diz, e hoje penso que ele muito certo está, de alguma forma, não existe amor. È só uma palavra para definir o sentimento de desejo que sentimos por outra pessoa. Não só desejo de sexo, mas desejo de estar perto, de se sentir importante. Coisas assim.
Bom, cresci. Cresci sendo detestadas por muitos, mas realmente amada pelos poucos que conseguiram me aturar. Já fui definida por uma amiga como jaca: dura por fora e mole por dentro. E também como 8 ou 80: ou amam muito, ou odeiam de coração, rs.
Não reclamo, pelo contrário, porque sei que esses poucos já passaram por todos os meus testes. Porque sim, sou dessas que testam as pessoas. Muitos, opa! Pera lá, cadê você quando a coisa ficou feia? Cadê você depois que eu surtei... Pois é, meus testes, minha confiança.
Até que um dia eu não testei, apenas estava em mais um dos meus jogos e pronto, cai em mim. Era essa a vida que eu queria para mim. Tinha bons amigos, uma boa convivência dentro de casa e uma pessoa que eu não me importei em testar, apenas acreditei e ainda acredito nela, sem mesmo saber o porquê.
Tudo bem, então porque estou reclamando? Pois é, as coisas nunca são boas por tempo suficiente.
Um ano termina, outro começa e as coisas ainda estavam bem, minha vida ainda era a que eu desejava, apesar de não ser um conto de fadas. Aliás, sempre esteve bem longe dessa categoria, mas eu nunca quis isso, também. Não tenho vocação pra otária, apesar de muitas vezes fazer bem esse papel.
Mas, voltando..
Eu ganhei bons amigos, não só porque passaram em meus testes, mas porque eu cultivei dentro de mim, sentimentos cada vez mais fortes por eles. Coisa que eu nunca havia feito antes. Não eram muitos, mas para mim, sempre foram grandes.
Comecei a me afeiçoar a essa cidade tão maldita, antigamente. Quando tive a oportunidade de ir embora, abandonar tudo e sumir, não quis. Não era mais a minha prioridade sumir daqui, eu não estava mais sozinha, tanto dentro, quanto fora de mim, me sentia completa.
Mas as coisas não são definidas apenas por mim. Meus bons amigos tiveram que ir.
Não ir só de mudança, mas ir também de me deixar só. Não porque eles queriam, mas porque todo mundo precisa crescer mais e mais, a cada dia.
A cidade é tão pequena e medíocre novamente e eu me sinto cada vez mais sozinha e com vontade de ser engolida pelo colchão da minha cama.
Hoje recebi uma mensagem que me fez chorar por uma hora.
Foi aquela saudades que dói, aquela dor que não se sabe de onde vem, mas também não tem como pará-la.
Uma dor indescritível que só quem à sente, sabe do que estou falando.
E agora é assim, só a dor que resta, enquanto eu continuo nessa cidade e vejo novamente a vida passar e sinto novamente essa vontade incontrolável de ir embora daqui. Numa tentativa desesperada, de fazer a dor da saudades passar.
Mas essa não é uma opção.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

one, two, three, go away again.

Tumulto, confusão.
As pessoas passam, não te olham, não te percebem. Aquele lugar não pertence a você.
Definitivamente ninguém se encaixa, mas fazer o quê? Todos sabem fingir muito bem.
Olha pro céu menino, a chuva cai e você não pode sair dai de dentro. Eles vão te olhar feio, você não quer parecer um maluco.
Não, não corre daí, fica mais um pouco, só mais alguns minutos e você vai aprender.
Pode até valer a pena no final, vai que o prêmio seja maior do que o crescimento pessoal?
Carrinho não pode mais, se chorar não terá colo. Menino, vê se cresce, aprende a se virar.
Dificilmente você vai se encaixar, mas você finge tão bem, porque ignorar?
Era uma vez, duas, três. Não foi mais.
A vida correu, a chuva passou, você conseguiu, não parou.
Uma, duas, três. Tua chance mais uma vez.
Vai menino, o céu está limpo, corre daí antes que vire mais um cínico.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

the dance must go on.

E é aquela pressão psicológica toda.
O mundo desanda, mas você não pode desandar.
Já chorando as coisas que serão perdidas e ainda no choro pelas coisas que se perderam a algum tempo.
A vida não é justa, minha cara.
É porrada de todos os lados e se você não for forte, não chega nem na metade.
Uns que vem, outros muitos que vão e você se sente parada no mundo, não pertencendo á aquele ambiente.
Só não tire o sorriso do rosto, não se exponha, não se rebaixe. O mundo pode cair, mas você não vai quebrar.
Seja forte, gente mole não dura muito.
E lá vem, mais porrada daqui, mais perda de lá.
Não, você não pode chorar. Não tem tempo pra isso, as coisas vão desandar.
Para, respira, aprende a se portar. Cada lugar um sorriso, as pessoas precisam disso.
Agora está tudo bem, pode sorrir de verdade, aquele com vontade, que você estava guardando para alguém. Mas vai com calma, não grita. Não, não, não faz escândalo, todos têm o sono leve.
Corre, corre com o vento, isso, dance minha cara. Aproveita, você merece.
Olha lá, mais uma vez, não se deixe abater, o mundo está começando a ruir. Você não achou que a dança duraria muito tempo, achou?
Levanta, não dá tempo de chorar. A dança tem que continuar...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

my private bubble.

Não que eu seja lá uma das pessoas mais afetuosas do mundo. Não sou de ficar melando ninguém e muito menos ficar passando a mão na cabeça de quem eu acho que não está com a razão.
Só faço o que eu quero e isso muitas vezes é levado como caretice.
Não gosto de engatar um relacionamento em outro, não gosto de ficar com desconhecidos, não gosto de beber porque todo mundo está bebendo, não me visto para os outros, não sigo os padrões... Faço tudo no meu tempo, no meu momento. Preciso de espaço.
Cuido de quem eu acho que precisa de mim.
Oks, eu criei o mundo em que estou vivendo agora. Eu deixei muitas coisas passarem e prendi muitas coisas que deveriam ter passado a muito tempo.
Não sou mais criança, mas ainda sou completamente irresponsável.
Sento e vejo em que mundo me meti. Um lugar feio, onde qualquer ato mais ou menos é motivo para olhares tortos e palavras ásperas.
Se tem uma coisa que realmente me deixa sufocada é ter razão e não poder gritar.
Saia dos padrões e sejam apedrejados.
Sou egoísta, aprendi a viver excluída, porque muitas pessoas não sabem ouvir a verdade, ou pelo menos o que eu acho que seja a verdade em meu mundo.
A maioria das pessoas gostam de ibope, e eu não sou telespectadora da vida de ninguém, apenas da minha. Não gosto de mover os atores principais de lugar, isso me assusta.
Mas ninguém aceita, ninguém acha certo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

come have a cup of tea ...

Eu gosto do escuro, tenho visões do que penso ser coisas que eu gostaria que estivessem comigo.
Gosto do mistério, do difícil, do praticamente inalcançável...
Não preciso de facilidade e nem cuidados... Posso até entortar, mas sei que jamais quebrarei.
As coisas não vêm fácil, mas se vão com uma leve brisa. E não se engane, quanto mais você apertar, mais elas escorreram pelo meio de teus dedos.
Não sou de cruzar os braços. Já tenho o não, o máximo que posso conseguir será um sim.
Pois bem, se fosse fácil não me encantaria, não me traria o menos tesão.
Fecho os olhos, eu gosto do escuro, as coisas que eu estimo estão comigo agora.
Loucura, sempre fui louca. A minha loucura é negra, porque na escuridão eu enxergo melhor.
Palavras podem até se gravar em mim, mas eu jamais me importei com cicatrizes. As ignoro, elas um dia acabam sumindo ou se tornando insignificantes.
Guardo mágoas no fundo de minha alma, mas jamais guardarei ódio de ninguém.
Sou tola, perdoou fácil qualquer erro cometido, mas jamais esquecerei. Boa memória é o castigo dos tolos.
Ai eu simplesmente fecho meus olhos, agora estou calma, as coisas estão bem... Estão comigo as coisas que mais estimo...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

man of the house.

Me impressiona como em pleno 2011, alguns homens ainda se acham no direito de tratar as mulheres como seres inferiores.
Tenho verdadeira repulsa de homem assim. E até mesmo de mulher, assim.
Não vou negar que para alguns assuntos sou categoricamente machista, mas quem não é em algum ponto, que atire a primeira calcinha.
Homens que se acham no direito de ofender e depois pedir uma simples desculpa, que fica tudo bem, merecem... sei lá, uma depilação na virilha.
Tive em casa o exemplo mais nojento do machismo. Aquele em que o homem trata a mulher como doméstica. "Mulher minha tem que ser rainha do lar. Passar o dia esquentando o umbigo no fogão e depois esfriando no tanque. Porque o bom é assim, ter uma filial e várias matrizes." - Valeu , babaquice humana.
Não estou falando que mulheres e homens devem ser tratados iguais. Mulheres têm que ser tratadas com carinho. Não adianta bater, porque dependendo da mulher que tu tem, ela não vai apanhar calada.
Sou a favor daquela que cozinha para o marido/namorado/whatever, larga um ano de trabalho para se dedicar ao filho recentemente chegado a vida. Aquela que se arruma para o próprio marido/namorado/whatever e não para outras mulheres...
Mas quer me ver puta é sair ditando regras que não existem. Mulher não é capacho e hoje em dia, mulher que lidera é vista com maus olhos.
Uma mulher que cuida da casa, sustenta seus filhos e segue sua vida sem a ajuda de um homem, é 'marginalizada', porque a sociedade é machista, mas ai quando a coisa é dentro da casa deles, o discurso muda.
A própria Dilma foi julgada por seu jeito durão de ser, porque brasileiro não aceita que mulher tenha pulso firme e senso de liderança.
Mas morria de rir quando via meu pai correndo de baratas e chamando minha mãe ou minha avó, pra matar pra ele, que já estava em cima de algum móvel aos berros.
O mundo ainda se assusta com casais separados que tem filhos, com mães solteiras, com mães divorciadas que seguem sua vida...
Um dia eu ouvi o pai de uma 'amiga', comentando com ela sobre a minha família e a família de uma amiga, a seguinte frase: "Namorado da minha mãe... Casa do meu pai... Umas amigas com famílias estranhas, que você têm, heim?!"
Alô querido, família estranha hoje em dia é a tua, porque a maioria da população é de pais separados.
Tem gente que parou em 1889 e não consegue acompanhar que quando duas pessoas não se fazem mais felizes, elas merecem se livrar umas das outras para tentar serem melhores.
Falta noção e sobra opinião, no mundo.
E esse é o típico pensamento de homem que me dá nojo: mulher que separa não pode mais ter homem nenhum na vida, ou mulher viúva tem que chorar o luto até a própria morrer.
É desse tipo de homem que eu procuro manter a distância, porque de machista já bastam alguns pensamentos meus.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

but I changed as I changed.

Eu mudei muito.
As pessoas podem até descordar de mim, mas eu sei que eu mudei muito. Em todos os sentidos.
Sempre fui distante das pessoas e hoje eu sei o porquê.
Me deixei levar por uma série de sentimentos por pessoas que eu realmente achei que também tinham um pingo de afeição por mim. Me arrependo de ter me aberto para taís.
Não quero ser ingrata, os momentos em que eu passei com elas, com certeza, foram muito especiais e eu aprendi muito com elas, também. Mas as coisas mudam, as pessoas fazem as tuas escolhas e nem sempre escolhem estar conosco 'na alegria e na tristeza'. Ter alguém apenas para a tristeza é sempre mais cômodo.
Repito, não quero ser ingrata, mas não posso ser hipócrita.
Ando entre o bem e o mal, o certo e o errado, o sim e o não, sempre. Sou radical demais. Odeio ouvir o silêncio, quando pergunto algo e estou disposta a ouvir qualquer coisa, só para não calarem a minha pergunta.
Eu me odeio por isso e já perdi muitas coisas com esse meu jeito.
Mas as coisas que mais me doem, por ter perdido, são três criaturinhas que eu julguei estarem sempre comigo. Infelizmente, os caminhos mudam. Os desejos mudam...
Eu continuo desejando a mesma coisa, mas hoje com mais intensidade. Eu desejo uma certa pessoa com tamanho amor e afeição, que chego a me julgar louca.
E eu percebo que mudei, quando eu penso nessa pessoa. Nas inúmeras coisas que eu já fiz para com ela e ela para comigo.
Ai eu percebo o que realmente me faz bem. Apenas sentar e conversar, apenas ligar e ouvir o barulho do ventilador do quarto dele, enquanto eu choro ou tento entender o que está acontecendo dentro daquela cabeça.
Quando um simples sorriso mexe com as estruturas de um certo alguém, é porque algo de muito especial realmente acontece entre essas duas pessoas. É isso que eu sinto. Não preciso de nada, apenas de um brilho no olhar.
Eu já fui louca, fofa, briguenta, passiva, paciente, ciumenta, possessiva...
Já tentei ser outra, tentei ser sociável, tentei ser certinha, tentei, tentei, tentei...
Cheguei ao ponto em que tento não deixar que me escape mais uma vez, a única coisa que me vem a cabeça, quando perguntam o que eu acho que é a felicidade. A única pessoa que faz com que eu me sinta feliz, mesmo eu não tendo certeza se é felicidade de verdade, mas é o mais próximo que eu já cheguei desse sentimento.
Sinto muito pelas coisas e pessoas que perdi ao longo desse caminho, desse começo de ano, mas não vou me iludir achando que daqui a pouco as coisas vão mudar, porque eu sei que não estou aberta para mudanças.
Eu quero apenas aqueles olhos para mim, aquele sorriso e aquele cheiro. Pode não ser muito, mas para mim é fundamental.
Ás vezes momentos bons são mais importantes do que momentos felizes.
Minha vida é digna de novela. Uma novela escrita por Manuel Carlos. Só não moro no Leblom e nem me chamo Helena, mas de resto, minha história é tão intediante e 'sofrida', quanto.
Sou tonta, sou vingativa e muito orgulhosa, mas mudei muito, como mudei...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

nada que importe para alguém...

Sou daquele tipo de pessoa louca, sabe? Aquela pessoa que não acredita em nada, mas acredita em tudo ao mesmo tempo. Que não tem fé nenhuma, mas na hora do desespero corre pra igreja, para o centro espírita, recorre a simpatia... (mentira, nunca fiz simpatia, ainda)
Ontem mesmo, eu estava sentada no banco da igreja evangélica (que nem é a minha 'religião') e pensando sobre isso. Quantas vezes eu entrei naquele mesmo lugar, desesperada e ainda não acreditando em nada. Quantas vezes eu fui até lá, não porque eu acreditava que 'Deus' faria algo por mim, melhoraria a minha vida e blábláblá; mas sim porque eu precisava de alguém ao meu lado, que acreditasse que as coisas melhorariam...
E sempre foi assim. Eu sou esse tipo de pessoa louca que não acredita, mas que precisa estar ao lado de pessoas que acreditam, só pra não perder as esperanças. Sou pessimista.
Não falo só de religião, mas também de amizades. Sempre recorri aos meus amigos nos momentos mais difíceis, porque eu sabia que eles acreditavam em mim, que eles acreditariam que eu seria capaz de passar por qualquer dificuldade que fosse, sem me despedaçar por completa. Preciso de incentivo, não acredito em mim, na minha capacidade.
Ontem nessa mesma igreja e continuando esse pensamento, uma pessoa que eu sempre tive, digamos assim, certo medo, por causa de algumas coisas que ela me disse em momentos de dificuldade, veio, me abraçou e simplesmente falou que me amava. Pera lá, te conheço a menos de um ano. Mas ai eu descobri que essa pessoa não me dá medo e senti uma ternura e uma afeição tão grande por ela, que até me estranhei.
Mas n'way, não acredito nessas coisas, mesmo que eu queira, sou completamente racional e não consigo acreditar em coisas que eu não posso ver e nem sentir.
Hoje é um daqueles dias em que eu acordei com uma sensação horrível, como se as coisas fossem dar errado, ou que algo de muito ruim vai acontecer com alguém que eu amo muito. Não sei o que é, e essas sensações me deixam completamente preocupadas e com medo profundo.
Essas coisas passam.
Ai voltando ao assunto de ontem, eu percebi que sempre entrava naquele lugar pedindo algo. Pedindo para as coisas serem menos difíceis, pedindo para algo me fazer parar de chorar, pedindo um pouco de auto controle... Mesmo sabendo que essas coisas só dependiam de mim, mas eu me forçava a acreditar que se eu fizesse tudo certinho, alguma força maior me ajudaria. PÉÉÉ, erro meu, que eu conseguiria. Saia de lá e ia pra onde? Sair com os meus amigos para beber, rs.
Mas ontem foi diferente, eu cheguei a um ponto da minha vida em que eu não desejo nada. Não quero mais nada além do que eu já tenho. Ai eu pensei: o que eu estou fazendo aqui? E descobri que eu gosto de estar lá. É tudo muito piegas e muito clichê, tudo muito fantasioso e radical, mas eu gosto daquilo. Gosto de ver aquelas pessoas e tentar entender o que se passa naquelas mentes. Talvez seja por causa da profissão que eu seguirei, mas eu gosto de ver o quanto elas realmente acreditam em tudo aquilo.
E eu mesmo não acreditando, sei que muitas das vezes que eu pensei que havia caído e não conseguiria mais levantar, foram aquelas pessoas que acreditaram em mim, que eu conseguiria, não sozinha -tem esse detalhe- mas que eu conseguiria sair daquela.

'Já é seu, mas precisa de esforço. A escolha é tua: vai arriscar e continuar tentando, ou vai desistir do teu maior sentimento?'